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Lula se reúne com embaixador brasileiro na Argentina pela segunda vez; crise persiste

ResumoO presidente Lula reuniu-se pela segunda vez com o embaixador brasileiro na Argentina, Júlio Bitelli, nesta quarta-feira, com participação do chanceler Mauro Vieira. Bitelli permanece no Brasil sem data para retorno. O Itamaraty monitora a crise diplomática com o governo de Javier Milei, sem resolução imediata.

O presidente Lula se reuniu pela segunda vez com o embaixador brasileiro na Argentina, Júlio Bitelli, nesta quarta-feira. O chanceler Mauro Vieira participou. Bitelli segue no Brasil sem data para retorno, enquanto o Itamaraty monitora a crise com o governo Milei.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 30 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Lula se reúne com embaixador brasileiro na Argentina pela segunda vez; crise persiste

Lula se reúne com embaixador brasileiro na Argentina pela segunda vez; crise segue sem data para solução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Júlio Bitelli, nesta quarta-feira (29). O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participou da conversa que tratou da crise do país com o governo de Javier Milei. O encontro foi o segundo entre Lula e Bitelli desde o início do embate, segundo apurou a CNN.

Durante a reunião, Bitelli relatou a evolução da situação na Argentina. Ele explicou que internamente a crise diplomática "pegou muito mal para o Milei". O embaixador se referia à reação de instituições e políticos argentinos que não gostaram da atitude do presidente argentino. O embate surgiu a partir de declarações de Milei na convenção do PL que lançou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto. O presidente argentino chamou Lula de "presidiário" e classificou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, como "lixo careca".

Por que o embaixador segue no Brasil?

Por enquanto, Bitelli segue no Brasil e não há data para retorno a seu posto em Buenos Aires. Mas há sinais de que o caminho para conciliação está aberto. No Itamaraty, existe o entendimento de que o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, trabalha para amenizar a crise. Nesta quarta-feira, Quirno afirmou que o governo de Javier Milei não pretende romper relações com o Brasil.

O chanceler Mauro Vieira, após se reunir com Bitelli, decidiu seguir monitorando as relações bilaterais e manter o diplomata no Brasil, segundo apurou a CNN. O retorno do diplomata ao Brasil dependerá do arrefecimento das tensões entre os países, segundo relatos. Auxiliares do presidente Lula, sob reserva, descartam uma volta imediata e falam que o embaixador deve ficar no país por "semanas".

O que mudou no tom da crise?

Houve na reunião, contudo, uma avaliação de que declarações do ministro das Relações Exteriores argentino, Pablo Quirno, levaram tom mais conciliador à relação. O chanceler do país vizinho afirmou nessa quarta-feira que "não há chance" de rompimento de relações entre os países por parte da Argentina. "Quanto ao fato de o chanceler brasileiro ter convocado o embaixador argentino, isso é algo que nós não fazemos; não elevamos questões ao nível institucional. Mantemos as disputas eleitorais, bem como as diferenças políticas e ideológicas, dentro desse âmbito específico", adicionou o ministro.

De acordo com fontes, causou revolta ao Itamaraty e ao Palácio do Planalto o fato de as declarações do presidente argentino terem acontecido em território brasileiro. Milei participou, no sábado (25), de convenção que lançou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Na ocasião, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário", acusou o governo brasileiro de "prender opositores" e se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como "lixo careca". O mandatário argentino ainda criticou a política econômica do país.

A reação do governo brasileiro

Na noite de domingo (26), Mauro Vieira já havia conversado com o embaixador da Argentina, Daniel Raimondi, a quem disse serem inaceitáveis e sem precedentes as críticas do presidente Javier Milei. Diego Santilli, chefe de gabinete de Javier Milei, justificou as falas do presidente da Argentina e tentou minimizar a crise entre os países. "Não exagerem", disse o representante do governo Milei sobre a convocação dos embaixadores.

O que esperar dos próximos passos?

O Itamaraty mantém Bitelli no Brasil como sinal de que a crise não está superada. A avaliação interna é de que, enquanto não houver um gesto concreto de Milei, como um pedido de desculpas público, o retorno do embaixador não será pautado. A fala de Quirno, no entanto, abre uma janela para a distensão. O governo brasileiro, por ora, adota a estratégia de esperar o arrefecimento das tensões, sem precipitar uma volta que poderia ser interpretada como sinal de fraqueza.

Perguntas Frequentes

Lula se reuniu com o embaixador brasileiro na Argentina quantas vezes?

Foram duas reuniões confirmadas entre Lula e Júlio Bitelli desde o início da crise com o governo Milei.

O embaixador Júlio Bitelli voltará para Buenos Aires?

Não há data para retorno. Auxiliares de Lula, sob reserva, afirmam que Bitelli deve ficar no Brasil por "semanas", até o arrefecimento das tensões.

O que Javier Milei disse sobre Lula?

Milei chamou Lula de "presidiário" durante convenção do PL no Brasil, no sábado (25). Também se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como "lixo careca".

A Argentina pode romper relações com o Brasil?

O chanceler argentino, Pablo Quirno, afirmou que "não há chance" de rompimento. O Itamaraty avalia que Quirno trabalha para amenizar a crise.

Quem é o embaixador da Argentina no Brasil?

Daniel Raimondi é o embaixador da Argentina no Brasil. Ele foi convocado pelo chanceler Mauro Vieira no domingo (26) para receber protesto formal.

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