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Justiça Militar de SP condena policiais por tortura com "roleta-russa" em 2026

ResumoA Justiça Militar de São Paulo condenou dois policiais militares por tortura em operação no bairro Cangaíba, em fevereiro de 2025. O sargento Amauri dos Santos simulou "roleta-russa" com vítimas rendidas para extrair informações sobre drogas. A sentença foi proferida em 15 de julho de 2026.

A Justiça Militar de São Paulo condenou dois policiais militares por tortura durante operação no bairro Cangaíba, em fevereiro de 2025. Sargento Amauri dos Santos simulou uma "roleta-russa" com vítimas rendidas para extrair informações sobre drogas. A sentença, de 15 de julho de

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 21 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Justiça Militar de SP condena policiais por tortura com "roleta-russa" em 2026

A Justiça Militar do Estado de São Paulo condenou dois policiais militares por crimes praticados durante uma operação realizada em 20 de fevereiro de 2025, no bairro Cangaíba, Zona Leste da capital. A sentença, de 15 de julho de 2026, atinge o 1º Sargento PM Amauri dos Santos e o Cabo PM Sandro da Silva Nascimento. A condenação por tortura com simulação de "roleta-russa" é o centro da decisão.

Como foi a operação que levou à condenação

De acordo com a sentença, os agentes submeteram indivíduos já rendidos a "intenso sofrimento físico e mental" com a finalidade de extrair informações sobre locais de armazenamento de drogas. O Sargento Amauri simulou uma "roleta-russa", inserindo uma munição no tambor de um revólver e encostando a arma na cabeça e no pescoço de uma das vítimas.

O Cabo PM Sandro da Silva Nascimento foi o primeiro policial a abordar os civis, segundo a decisão. O Tribunal concluiu que o Soldado PM Eduardo Uchôa Vieira de Oliveira, assim que chegou ao local, desferiu um tapa em um dos abordados. Após isso, o Cabo Sandro colocou uma arma na cabeça do civil abordado, sob os olhares do Soldado Uchôa, que riu da situação.

Quem são os policiais condenados

O 1º sargento Amauri dos Santos foi condenado à pena de 12 anos, cinco meses e 18 dias, no regime fechado. Já o cabo Sandro da Silva Nascimento foi condenado à pena de quatro anos, dez meses e 16 dias, a ser cumprida em regime semiaberto.

Crimes pelos quais Amauri foi condenado

A sentença reconheceu a prática de tortura, abuso de autoridade, peculato e fraude processual. Amauri foi absolvido apenas da acusação de porte ilegal de arma de fogo por insuficiência de provas quanto à natureza do objeto utilizado na chamada "roleta-russa".

Crimes pelos quais Sandro foi condenado

O Cabo Sandro foi condenado por tortura e abuso de autoridade.

Por que a Justiça considerou tortura

Para a Justiça, a violência foi empregada para extrair informações, o que configura o crime de tortura. As informações obtidas durante as ameaças levaram os policiais aos imóveis posteriormente vistoriados na comunidade. A sentença também concluiu que as informações obtidas mediante violência foram utilizadas para justificar as entradas nas residências da comunidade.

O documento afasta a alegação de que as entradas nas casas decorreram de situação de flagrante, afirmando que não havia razões prévias para as invasões e que as diligências tiveram origem exclusivamente nas informações extraídas das vítimas sob tortura. Por esse motivo, reconheceu a prática do crime de abuso de autoridade.

A tentativa de obstruir a investigação

Outro ponto destacado pelo Tribunal foi a tentativa de impedir o registro da ocorrência pelas câmeras corporais. Segundo a decisão, Amauri orientou os policiais presentes a se posicionarem para obstruir as gravações e deixou de acionar deliberadamente a própria câmera corporal, com o objetivo de dificultar futuras investigações e a apuração judicial dos fatos. A conduta foi enquadrada como fraude processual.

O papel do policial mais graduado

Ao fixar as penas, a Justiça Militar ressaltou que Amauri era o policial mais graduado presente na ocorrência e tinha o dever funcional de impedir abusos praticados pelos subordinados. Em vez disso, segundo a sentença, ele intensificou a violência, utilizou sua posição hierárquica para ampliar o sofrimento das vítimas e deu continuidade às ilegalidades verificadas durante a ação policial.

Em relação ao 1º sargento Amauri dos Santos, a sentença afirma que, ao chegar ao local, ele não interrompeu as agressões praticadas pelos demais policiais. O juízo destacou que a grave ameaça independe dessa comprovação para caracterizar o crime de tortura.

O que acontece com os outros policiais envolvidos

Eduardo Uchôa Vieira de Oliveira, assim como outros agentes, tiveram os processos desmembrados e aguardam julgamento. A decisão não detalha os nomes dos demais envolvidos nem as datas previstas para os próximos julgamentos.

Próximos passos no caso

A CNN Brasil tenta contato com as defesas dos condenados. O espaço segue aberto para manifestações. O caso pode gerar recursos nas instâncias superiores da Justiça Militar.

Perguntas Frequentes

O que é a "roleta-russa" simulada pelos policiais?

Segundo a sentença, o Sargento Amauri inseriu uma munição no tambor de um revólver e encostou a arma na cabeça e no pescoço de uma vítima já rendida, simulando o jogo de roleta-russa para extrair informações sobre drogas.

Qual a pena do Sargento Amauri dos Santos?

Amauri foi condenado a 12 anos, cinco meses e 18 dias de prisão, em regime fechado, pelos crimes de tortura, abuso de autoridade, peculato e fraude processual.

Qual a pena do Cabo Sandro da Silva Nascimento?

Sandro foi condenado a quatro anos, dez meses e 16 dias, em regime semiaberto, por tortura e abuso de autoridade.

Quando ocorreu a operação policial?

A operação foi realizada em 20 de fevereiro de 2025, no bairro Cangaíba, Zona Leste de São Paulo.

O que aconteceu com os outros policiais envolvidos?

O Soldado PM Eduardo Uchôa Vieira de Oliveira e outros agentes tiveram os processos desmembrados e ainda aguardam julgamento.

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