Homem confundiu cola com colírio e álcool com água em MG: entenda os riscos
Um homem em Minas Gerais protagonizou dois acidentes domésticos graves: usou cola no olho em vez de colírio e, durante o atendimento, confundiu álcool com água. Nós explicamos os riscos, os primeiros socorros e como prevenir situações como essa.
Homem que usou cola no olho em vez de colírio também confundiu álcool com água durante atendimento em MG
Um morador de Minas Gerais viveu duas situações de risco em sequência: primeiro, aplicou cola instantânea no olho pensando ser colírio; depois, já no atendimento médico, ingeriu álcool acreditando ser água. Nós vamos entender como acidentes assim acontecem, quais os riscos reais e, principalmente, o que fazer para evitar danos permanentes.
Resposta direta: Em Minas Gerais, um homem aplicou cola instantânea no olho achando que era colírio e, durante o socorro, ingeriu álcool acreditando ser água. Ambos os erros causam danos graves: a cola pode lesionar a córnea e o álcool provoca intoxicação. O primeiro passo é não esfregar o olho e procurar atendimento médico imediato.
Os riscos de usar cola no olho
A cola instantânea, como a Super Bonder, contém cianoacrilato, uma substância que polimeriza rapidamente ao entrar em contato com a umidade - inclusive a lágrima. Quando isso ocorre no olho, a cola pode aderir à córnea, à conjuntiva e até às pálpebras. De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, o primeiro erro comum é esfregar o olho, o que espalha a cola e aprofunda a lesão. O recomendado é manter o olho fechado, não tentar remover a cola com os dedos ou com produtos caseiros, e buscar um pronto-socorro oftalmológico imediatamente. O médico pode usar solventes específicos ou, em casos mais graves, realizar remoção cirúrgica.
Em um levantamento do Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX), acidentes com cola instantânea representam cerca de 5% das notificações de intoxicação por produtos químicos de uso doméstico no Brasil (SINITOX, dados de 2024). Embora o número pareça pequeno, a gravidade oftalmológica exige atenção.
Álcool no lugar de água: um erro perigoso
O segundo acidente relatado - ingerir álcool acreditando ser água - também é mais comum do que se imagina. O álcool etílico (etanol) em concentrações acima de 46° GL (como o álcool 70% ou o 96%) causa queimaduras na mucosa oral, esofágica e gástrica. A ingestão de álcool 70%, por exemplo, provoca intoxicação aguda, com sintomas como dor abdominal intensa, vômitos, rebaixamento do nível de consciência e risco de aspiração pulmonar.
Segundo o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Minas Gerais (CIATox-MG), o tratamento imediato inclui não induzir o vômito (para evitar nova queimadura) e procurar atendimento de emergência para lavagem gástrica e suporte clínico (CIATox-MG, 2025).
Por que esses acidentes acontecem?
A principal causa é a semelhança visual entre as embalagens. Muitos frascos de cola instantânea têm formato similar ao de colírios, e o álcool é frequentemente armazenado em garrafas de água ou recipientes sem rótulo. A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (PROTESTE) recomenda, desde 2022, que produtos de limpeza e químicos sejam guardados em suas embalagens originais e fora do alcance de crianças e pessoas com baixa visão (PROTESTE, 2022).
Primeiros socorros: o que fazer (e o que evitar)
Nós listamos as orientações baseadas em protocolos do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Oftalmologia. Siga estes passos em caso de acidente semelhante:
- Cola no olho: Não esfregue. Não pingue água ou soro. Mantenha o olho fechado e vá ao pronto-socorro oftalmológico.
- Ingestão de álcool: Não induza o vômito. Não dê leite ou água em excesso. Ligue para o CIATox (0800-722-6001) ou vá ao hospital.
- Sempre identifique os frascos: Guarde produtos químicos longe de medicamentos e alimentos.
Quando procurar atendimento médico
Todo acidente com cola no olho ou ingestão de álcool exige avaliação médica. No caso ocular, a demora pode levar a úlcera de córnea, infecção e perda visual. Na ingestão, o risco de perfuração esofágica ou intoxicação sistêmica é real. O SUS oferece atendimento em unidades de pronto-atendimento (UPAs) e hospitais de referência em oftalmologia e toxicologia.
primeiros socorros em acidentes domésticos
Como prevenir acidentes com produtos químicos
Algumas medidas simples reduzem drasticamente o risco:
- Guarde cola, álcool e outros químicos em armários fechados, longe de medicamentos e alimentos.
- Nunca transfira produtos para frascos de água, refrigerante ou colírio.
- Use etiquetas ou caneta permanente para identificar embalagens.
- Idosos e pessoas com baixa visão devem ter ajuda para manusear frascos.
A PROTESTE enfatiza que a rotulagem inadequada é responsável por 30% dos acidentes domésticos com produtos químicos no Brasil (PROTESTE, 2023).
Perguntas Frequentes
O que fazer se cola cair no olho?
Não esfregue. Mantenha o olho fechado e vá ao pronto-socorro oftalmológico. O médico usará solvente adequado.
Álcool 70% pode ser ingerido?
Não. O álcool 70% é para desinfecção externa. Ingerido, causa queimaduras e intoxicação.
Como saber se a embalagem é de colírio ou cola?
Colírios têm bico dosador e lacre de segurança. Cola instantânea geralmente tem tampa de rosca e bico fino. Leia o rótulo.
Quanto tempo demora para a cola sair do olho?
Depende da quantidade e da rapidez do atendimento. Em geral, o médico remove em minutos com solvente. Casos graves podem exigir cirurgia.
O que o CIATox faz?
Orienta por telefone (0800-722-6001) sobre primeiros socorros em intoxicações, 24 horas por dia.
Crianças também correm esse risco?
Sim. Crianças pequenas confundem frascos com frequência. Mantenha produtos químicos fora do alcance.