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Governo Lula quer evitar radicalização contra tarifaço e busca empresários

ResumoGoverno Lula adotou estratégia de prudência diante do tarifaço norte-americano. Planalto descartou retaliação imediata e busca diálogo com empresários. Lei da Reciprocidade será analisada setor por setor, evitando radicalização e mantendo canais abertos com os EUA.

Após o tarifaço norte-americano, o governo Lula definiu uma estratégia de prudência: evitar radicalização, manter diálogo com os EUA e buscar empresários. A palavra retaliação foi descartada no Planalto, e a Lei da Reciprocidade será analisada com cautela, setor por setor.

Raíssa Vasconcelos
Raíssa Vasconcelos Repórter de Cultura e Eventos Regionais · 20 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Governo Lula quer evitar radicalização contra tarifaço e busca empresários

Governo Lula quer evitar radicalização contra tarifaço e busca empresários

Um dia após o anúncio do tarifaço norte-americano sobre produtos brasileiros, o governo Lula (PT) definiu sua estratégia: agir com prudência, evitar a radicalização e manter o diálogo aberto com os Estados Unidos. A postura foi confirmada por declarações públicas e pela apuração de Jussara Soares, no Hora H. No Palácio do Planalto, a palavra "retaliação" foi descartada. A aplicação da Lei da Reciprocidade será analisada de forma cautelosa e segmentada, setor por setor, avaliando onde faz sentido e onde seria "um tiro no pé", segundo fontes do governo.

Por que o governo Lula descartou retaliação imediata ao tarifaço?

A decisão de não retaliar imediatamente leva em conta um dado estrutural da relação comercial entre os dois países: o Brasil compra mais dos Estados Unidos do que os americanos compram do Brasil. Dessa forma, um aumento de tarifas sobre produtos americanos elevaria os custos das empresas brasileiras e, consequentemente, os preços ao consumidor nacional, e não o contrário. "A gente precisa avaliar ponto a ponto, setor por setor. Para determinados setores pode fazer sentido uma reciprocidade. Para outros vai ser um tiro no pé", explicou Jussara Soares, com base em fontes do governo.

Como o governo Lula quer evitar radicalização?

O governo também decidiu abandonar o tom político-eleitoral que havia marcado o início das tensões comerciais. Quando surgiram a investigação 301, o debate sobre o Pix e a questão do desmatamento, o governo adotou inicialmente uma postura mais confrontacional. Agora, a orientação mudou. "A gente não pode entrar nessa ótica de usar o momento político eleitoral para fazer ataques políticos eleitorais prejudicando a economia", afirmou Dario Durigan, ministro da Fazenda. Ele acrescentou que "a reciprocidade tem sido avaliada para ser usada na medida e no tempo correto". Durigan também reiterou que o Brasil seguirá em diálogo com o governo americano. "Nós vamos seguir dialogando muito, trazer o empresário para próximo do governo", disse, reconhecendo a "indignação" do governo brasileiro diante do que classificou como falta de razoabilidade nas tarifas impostas.

O papel dos empresários na estratégia de diálogo

O governo avalia que uma eventual revisão das tarifas pelos Estados Unidos, ou a ampliação da lista de exceções, só deve ocorrer após as eleições brasileiras. Até lá, a estratégia é seguir com cautela, buscar novos parceiros comerciais e manter interlocução próxima com o setor empresarial, que, segundo Jussara, foi bastante atuante nas tentativas de negociação com Washington. A orientação é clara: manter o canal de negociação aberto e não elevar o tom nas redes sociais ou em declarações públicas. "A diplomacia precisa ter estômago para ser feita", disseram fontes ouvidas pela jornalista.

A reação de Mauro Vieira e a interferência de Marco Rubio

A estratégia é responder apenas quando provocada e na mesma proporção, como ocorreu quando o chanceler Mauro Vieira reagiu a declarações de Marco Rubio, que afirmou haver falta de boa-fé por parte do governo brasileiro nas negociações e que Lula teria colocado o ego à frente dos interesses do país. Segundo a apuração, o governo avalia que a manifestação pública de Marco Rubio representa uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras e de politização do debate tarifário. Diante disso, a orientação é que Lula não se pronuncie antes de Trump, mantendo a simetria nas interlocuções, ou seja, respostas ocorrem entre autoridades de cargos equivalentes.

O que esperar das próximas negociações comerciais?

A diplomacia brasileira tem uma orientação clara: manter o canal de negociação aberto e não elevar o tom. A aplicação da Lei da Reciprocidade será analisada de forma cautelosa e segmentada, setor por setor. O governo também busca novos parceiros comerciais para reduzir a dependência do mercado americano. A palavra de ordem é prudência, com foco em diálogo e negociação, evitando radicalizações que possam prejudicar a economia.

Perguntas Frequentes

O governo Lula vai retaliar os EUA?

Não há previsão de retaliação imediata. A Lei da Reciprocidade será analisada de forma cautelosa e segmentada, setor por setor, para evitar prejuízos à economia brasileira.

Por que o governo Lula quer evitar radicalização?

Porque o Brasil compra mais dos EUA do que vende, e uma retaliação generalizada elevaria custos para empresas brasileiras e preços ao consumidor. A estratégia é manter diálogo e buscar novos parceiros.

Qual o papel dos empresários na estratégia?

O setor empresarial foi atuante nas tentativas de negociação com Washington. O governo quer manter interlocução próxima com empresários e trazê-los para perto nas decisões comerciais.

O que mudou na postura do governo?

O tom político-eleitoral foi abandonado. Agora a orientação é evitar ataques políticos e focar em diálogo técnico e comercial, com respostas apenas na mesma proporção das provocações.

Como o governo reagiu às declarações de Marco Rubio?

O chanceler Mauro Vieira respondeu na mesma proporção. O governo avalia que a fala de Rubio representa tentativa de interferência nas eleições brasileiras e politização do debate tarifário.

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