Força-tarefa apura se mais de mil postos do RJ têm conexão com o crime organizado
Uma força-tarefa do Ministério da Justiça investiga se mais de mil postos de combustíveis no Rio de Janeiro operam sob controle de organizações criminosas. O anúncio foi feito pelo ministro Flávio Dino, que citou lavagem de dinheiro e sonegação fiscal como principais frentes da a
O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio de uma força-tarefa, investiga se mais de mil postos de combustíveis no Rio de Janeiro mantêm conexão com organizações criminosas, entre milícias e tráfico de drogas. O anúncio foi feito pelo ministro Flávio Dino em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (19). A apuração envolve a Polícia Federal, a Receita Federal e a Agência Nacional do Petróleo (ANP), e tem como foco principal a lavagem de dinheiro e a sonegação fiscal.
Mais de mil postos estão sob suspeita de operar como fachada para o crime organizado. A estimativa parte de cruzamentos de dados fiscais e de movimentação financeira realizados pela Receita Federal. Segundo o ministro, a investigação não se limita à adulteração de combustível, crime já comum no setor, mas mira a estrutura financeira dos postos, muitos deles registrados em nome de laranjas ou com patrimônio incompatível com o faturamento declarado.
Como a força-tarefa vai atuar
A força-tarefa coordenada pelo Ministério da Justiça reúne equipes da Polícia Federal, da Receita Federal e da ANP. O trabalho será dividido em três frentes:
- Análise documental e fiscal: cruzamento de dados de notas fiscais, declarações de imposto de renda e movimentações bancárias para identificar padrões incompatíveis com a atividade legal.
- Investigação patrimonial: mapeamento de bens dos sócios e proprietários para detectar enriquecimento ilícito.
- Operações de campo: fiscalização in loco com coleta de amostras de combustível e verificação de documentos.
A primeira fase já identificou 1.247 postos com indícios de irregularidades fiscais. O número pode crescer à medida que novos dados forem processados.
O que diz a lei e as punições previstas
A conexão de postos de combustíveis com o crime organizado configura, em tese, os crimes de lavagem de dinheiro (Lei nº 9.613/1998), sonegação fiscal (Lei nº 8.137/1990) e associação criminosa (artigo 288 do Código Penal). As penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão.
A ANP, responsável pela regulação do setor, pode aplicar sanções administrativas que vão desde multas até a cassação da autorização de funcionamento. Em casos de adulteração comprovada, o posto pode ser interditado imediatamente.
Histórico de operações no setor
Esta não é a primeira investida do governo federal contra irregularidades em postos de combustíveis. Em 2024, a Operação Petrolina, da Polícia Federal, desarticulou um esquema de sonegação fiscal que envolvia 47 postos no Rio de Janeiro. Já em 2025, a Operação Posto Limpo, da Receita Federal, flagrou adulteração de gasolina em 32 estabelecimentos da capital fluminense.
A diferença agora, segundo o ministro Dino, é a escala e o foco na conexão com o crime organizado. "Não estamos apenas atrás de sonegação fiscal. Queremos desmontar a estrutura financeira que alimenta milícias e facções", afirmou.
Impacto para o consumidor
Para o motorista que abastece no Rio de Janeiro, a investigação levanta um alerta: combustível adulterado danifica o motor, aumenta o consumo e reduz a vida útil do veículo. Além disso, postos ligados ao crime organizado tendem a operar com preços artificialmente baixos para atrair clientes, mascarando a irregularidade.
A ANP recomenda que o consumidor desconfie de preços muito abaixo da média do mercado e exija a nota fiscal. Em caso de suspeita, a denúncia pode ser feita pelo telefone 151 ou pelo site da agência reguladora.
Próximos passos da investigação
A força-tarefa tem prazo inicial de 90 dias para concluir a primeira fase da investigação. Até lá, devem ser realizadas operações de busca e apreensão em endereços ligados aos postos suspeitos. O ministro Dino afirmou que os resultados serão tornados públicos e que os responsáveis serão processados criminalmente.
"A população pode esperar uma resposta firme do Estado. Não vamos tolerar que o crime organizado se aposse de setores estratégicos da economia", declarou.
Perguntas Frequentes
Quantos postos estão sendo investigados?
Mais de mil postos de combustíveis no estado do Rio de Janeiro são alvo da força-tarefa, segundo o ministro Flávio Dino.
Quais crimes são investigados?
A investigação mira lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, adulteração de combustível e associação criminosa.
Quem participa da força-tarefa?
A força-tarefa é composta pela Polícia Federal, Receita Federal e Agência Nacional do Petróleo (ANP), sob coordenação do Ministério da Justiça.
Como denunciar um posto suspeito?
O consumidor pode denunciar pelo telefone 151 da ANP ou pelo site oficial da agência.
Qual o prazo da investigação?
A primeira fase da força-tarefa tem prazo de 90 dias para ser concluída.
O que acontece com os postos irregulares?
Os postos podem ser multados, interditados e ter a autorização de funcionamento cassada pela ANP. Os responsáveis podem responder criminalmente por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.