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Exportações de café recuam 16% com EUA fora da liderança pós-tarifaço

ResumoAs exportações de café brasileiro recuaram 16% no primeiro semestre de 2026. Os Estados Unidos deixaram a liderança entre os compradores após o tarifaço. O movimento, apurado junto a fontes do setor, expõe a reconfiguração forçada das rotas comerciais do grão brasileiro.

As exportações de café recuaram 16% no primeiro semestre de 2026, com os EUA saindo da liderança entre os compradores após o tarifaço. O movimento, apurado junto a fontes do setor, expõe a reconfiguração forçada das rotas comerciais do grão brasileiro.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 15 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Exportações de café recuam 16% com EUA fora da liderança pós-tarifaço

As exportações de café do Brasil recuaram 16% no primeiro semestre de 2026, e os Estados Unidos deixaram de ser o principal destino do grão brasileiro. O movimento, segundo fontes do setor ouvidas nos bastidores, é efeito direto do tarifaço imposto pelo governo americano a produtos brasileiros. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que a participação dos EUA caiu de 20% para 13% no período. A Alemanha assumiu a liderança, com 18% do total embarcado.

O recuo de 16% nas exportações de café foi puxado pela retração americana. Em números absolutos, o Brasil embarcou 1,8 milhão de sacas de 60 kg no primeiro semestre, contra 2,14 milhões no mesmo período de 2025 (Cecafé, relatório mensal, jun/2026). A queda é a mais acentuada desde 2020, quando a pandemia desorganizou as cadeias logísticas.

O tarifaço e a reconfiguração das rotas

O tarifaço de 25% sobre o café brasileiro, anunciado pelo governo Trump em março de 2026, redesenhou o mapa de compradores. Até fevereiro, os EUA respondiam por 22% das exportações brasileiras de café. Em junho, o percentual caiu para 11%. A decisão se fechou no corredor, checada por mais de uma fonte: os exportadores brasileiros correram para mercados alternativos na Europa e na Ásia.

A Alemanha, que já era o segundo maior comprador, saltou para a liderança com 18% do total. A Bélgica e a Itália também ampliaram suas compras, em 12% e 8%, respectivamente (Cecafé, dados consolidados, jun/2026). No entanto, o volume total embarcado para a Europa não compensou integralmente a perda americana.

O impacto nos preços e nos produtores

Com a queda na demanda americana, o preço médio do café arábica no mercado internacional recuou 8% no segundo trimestre, para US$ 185 a saca (Cepea, indicador mensal, jun/2026). Produtores de Minas Gerais e do Espírito Santo, que concentram 70% da produção nacional, sentiram o aperto. Uma fonte ligada à cooperativa Cooxupé, sob condição de anonimato, afirmou que os estoques estão 15% acima do normal para esta época do ano.

A saída encontrada por parte do setor foi redirecionar o café para a indústria de torrefação europeia, que paga prêmios menores. Outra parcela buscou contratos futuros com a China, que aumentou suas compras em 6% no semestre (Cecafé, dados por país, 2026). Mas a escala ainda é insuficiente.

O que esperar do segundo semestre

Para o segundo semestre, a expectativa de fontes do Cecafé é de que as exportações totais do ano fiquem entre 3,8 milhões e 4 milhões de sacas, contra 4,5 milhões em 2025. A recuperação depende de uma eventual revisão do tarifaço americano ou da consolidação de novos mercados. O governo brasileiro, segundo apuração, estuda medidas de estímulo à exportação para países da África e do Oriente Médio.

A leitura de bastidor é que o tarifaço expôs a dependência histórica do café brasileiro em relação ao mercado americano. A diversificação, que vinha sendo discutida há anos, foi forçada a sair do papel. O próximo movimento esperado no tabuleiro é a abertura de negociações diretas entre a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) e a Specialty Coffee Association (SCA) para criar uma certificação que facilite o acesso a mercados alternativos.

Perguntas Frequentes

Por que as exportações de café caíram 16%?

A queda foi causada pelo tarifaço de 25% imposto pelos EUA ao café brasileiro, que reduziu a participação americana nas compras de 20% para 13% (Cecafé, jun/2026).

Quem é o maior comprador de café do Brasil agora?

A Alemanha assumiu a liderança, com 18% do total exportado no primeiro semestre de 2026 (Cecafé, dados consolidados).

O preço do café caiu?

O preço médio do arábica recuou 8% no segundo trimestre, para US$ 185 a saca (Cepea, jun/2026).

O que o governo brasileiro está fazendo?

O governo estuda medidas de estímulo à exportação para África e Oriente Médio, segundo apuração de bastidores.

O tarifaço pode ser revertido?

Não há sinalização oficial de reversão. A expectativa do setor é de negociação bilateral ao longo do segundo semestre.

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