Exportações do agro para países árabes avançam 5% no primeiro semestre de 2026
As exportações do agronegócio brasileiro para os 22 países da Liga Árabe cresceram 5% no primeiro semestre de 2026, alcançando US$ 7,03 bilhões. O desempenho reforça a resiliência do setor diante da guerra no Oriente Médio, que desde fevereiro dificulta a navegação pelo Estreito
Exportações do agro para países árabes sobem 5%: o que isso significa para o seu bolso?
As exportações do agronegócio brasileiro para os 22 países da Liga Árabe cresceram 5% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado, alcançando US$ 7,03 bilhões. O agronegócio respondeu por aproximadamente 75% de todas as exportações brasileiras para a região no período, segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Esse avanço ocorre apesar da guerra no Oriente Médio, que desde fevereiro dificulta a navegação pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais da região.
Para quem acompanha os preços no supermercado, a pergunta que fica é: esse crescimento nas exportações vai encarecer ainda mais a comida no Brasil? A resposta, como veremos, não é simples, e envolve logística, diversificação de culturas e a proximidade do Ramadã.
Como a guerra no Oriente Médio afeta a logística das exportações?
Desde fevereiro de 2026, a guerra no Oriente Médio impõe restrições à navegação pelo Estreito de Ormuz, rota crítica para o comércio com países do Golfo. O secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Mohamad Mourad, explicou que os exportadores brasileiros reorganizaram a logística para manter o abastecimento da região.
Eles passaram a utilizar portos no Mar Vermelho e complementaram o transporte com modais rodoviário e aéreo. O custo adicional da operação, segundo Mourad, tem sido dividido entre exportadores, importadores e consumidores finais. Isso significa que parte desse custo extra pode chegar ao preço dos alimentos no Brasil, embora o impacto seja diluído ao longo da cadeia.
Impacto nos países do Golfo: queda de 1,06%
Nos seis países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, as exportações do agronegócio somaram US$ 2,58 bilhões no primeiro semestre, uma queda de 1,06% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da retração, a Câmara Árabe considera o resultado expressivo diante das dificuldades logísticas impostas pelo conflito.
Quais produtos do agro brasileiro lideram as exportações para a Liga Árabe?
A pauta de exportações para a região é diversificada, e essa diversidade foi crucial para compensar as perdas em alguns itens. Veja o desempenho dos principais produtos:
- Açúcar: permaneceu na liderança, apesar de uma retração de 7,45% nas vendas, para US$ 1,79 bilhão.
- Carne de frango: segundo principal item, registrou queda de 9,99%, totalizando US$ 1,57 bilhão.
- Milho: as exportações cresceram 49,51% no semestre, alcançando US$ 794,9 milhões.
- Carne bovina: as vendas aumentaram 7,33%, para US$ 792,27 milhões.
- Soja: os embarques avançaram 14,19%, somando US$ 758,49 milhões.
Para Mohamad Mourad, a diversificação da pauta exportadora contribuiu para manter o desempenho positivo do agronegócio brasileiro na região, mesmo em um cenário de instabilidade geopolítica. As perdas no açúcar e na carne de frango foram compensadas pelo avanço do milho, da carne bovina e da soja.
Como a formação de estoques para o Ramadã pode impulsionar as exportações?
A Câmara Árabe avalia que as exportações podem ganhar ritmo nos próximos meses com o início da formação de estoques para o Ramadã. Em 2027, o mês sagrado dos muçulmanos terá início em fevereiro, o que tradicionalmente impulsiona as compras de alimentos entre setembro e novembro. Essa sazonalidade pode aquecer ainda mais as vendas do agro brasileiro para a região.
Mercados que mais cresceram no primeiro semestre
Alguns países ampliaram significativamente as compras de produtos brasileiros:
- Emirados Árabes Unidos: as exportações cresceram 6,01%, para US$ 1,72 bilhão.
- Arábia Saudita: os embarques avançaram 11%, chegando a US$ 1,51 bilhão.
- Egito: houve forte expansão de 31,73%.
- Argélia: ampliou as importações do Brasil em 12,49%.
O que isso significa para o consumidor brasileiro?
O aumento das exportações para os países árabes, em especial de carnes e grãos, tende a pressionar os preços internos desses produtos, já que parte da oferta é desviada para o mercado externo. No entanto, a diversificação da pauta e a capacidade de reorganização logística do setor ajudam a mitigar impactos mais severos.
Além disso, o custo adicional logístico, dividido entre exportadores, importadores e consumidores finais, pode se refletir em reajustes pontuais, mas não deve gerar uma alta generalizada. A Câmara Árabe ressalta que o crescimento das exportações agropecuárias para a Liga Árabe reforça a capacidade do setor brasileiro de manter mercados estratégicos mesmo diante de dificuldades logísticas e de um cenário internacional mais desafiador.
Perguntas Frequentes
As exportações do agro para países árabes realmente cresceram 5%?
Sim. Segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, as exportações do agronegócio brasileiro para os 22 países da Liga Árabe cresceram 5% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, totalizando US$ 7,03 bilhões.
Quais produtos do agro brasileiro mais caíram nas exportações para a região?
O açúcar registrou retração de 7,45% nas vendas, para US$ 1,79 bilhão, e a carne de frango caiu 9,99%, somando US$ 1,57 bilhão. As perdas foram compensadas pelo avanço do milho (49,51%), carne bovina (7,33%) e soja (14,19%).
Como a guerra no Oriente Médio afeta o preço dos alimentos no Brasil?
A guerra dificulta a navegação pelo Estreito de Ormuz, elevando custos logísticos. Esses custos são divididos entre exportadores, importadores e consumidores finais, o que pode gerar reajustes pontuais em alguns produtos, mas sem causar alta generalizada.
O que é a Liga Árabe e quantos países a compõem?
A Liga Árabe é uma organização que reúne 22 países do mundo árabe, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Argélia. O Brasil exporta para todos eles, com destaque para o agronegócio.
Quando o Ramadã de 2027 começa e como isso afeta as exportações?
O Ramadã de 2027 terá início em fevereiro. Tradicionalmente, a formação de estoques para o mês sagrado ocorre entre setembro e novembro, o que deve impulsionar as compras de alimentos brasileiros pelos países árabes.
exportações agro brasileiras impacto guerra alimentos