# Espécie invasora chega ao litoral brasileiro e ameaça ostras nativas

> A ostra-tampinha (Saccostrea cucullata), espécie invasora asiática, ameaça ostras nativas no litoral brasileiro. Identificada em Bertioga em 2014, a Saccostrea cucullata já se espalhou do Rio de Janeiro a Santa Catarina, competindo por espaço e recursos com espécies locais. A presença da ostra-tampinha pode desequilibrar ecossistemas costeiros e prejudicar a produção de ostras nativas.

*Sucesso News · Cidade · 24 de julho de 2026 · Raíssa Vasconcelos*

Uma ostra exótica vinda da Ásia, a Saccostrea cucullata, popularmente chamada de ostra-tampinha, está invadindo o litoral brasileiro e ameaçando as espécies nativas. Vista pela primeira vez no Brasil em 2014, em Bertioga, ela já se espalhou do Rio de Janeiro até Santa Catarina, s

## Espécie invasora está chegando ao litoral brasileiro e ameaça nativas

Eu fui conversar com quem está na linha de frente desse problema ambiental que cresce silenciosamente nos manguezais brasileiros. Uma ostra exótica vinda da Ásia, a Saccostrea cucullata, popularmente chamada de "ostra-tampinha", está invadindo o litoral brasileiro e ameaçando as espécies nativas. A Saccostrea cucullata, conhecida como ostra-tampinha, é uma espécie exótica vinda da Ásia que foi vista pela primeira vez no Brasil em 2014, em Bertioga, litoral de São Paulo. Desde então, ela se espalhou do Rio de Janeiro até Santa Catarina, ocupando o mesmo espaço e consumindo os mesmos recursos que a ostra nativa Crassostrea brasiliana, o que a caracteriza como espécie invasora.

## A chegada discreta de uma invasora asiática

A história dessa invasão começou sem alarde. Em 2014, pesquisadores encontraram a Saccostrea cucullata em Bertioga, no litoral paulista. Ninguém sabe ao certo como ela chegou, pode ter vindo na água de lastro de navios ou fixada em cascos de embarcações. O fato é que, de lá para cá, ela se espalhou com uma velocidade que preocupa quem estuda a biodiversidade costeira.

Segundo estudo da "Rede de Ação Local da Ostra Exótica Saccostrea cucullata", que reúne órgãos governamentais, instituições de pesquisa e comunidades tradicionais, a ostra-tampinha é considerada uma espécie invasora porque ocupa o mesmo espaço e consome os mesmos recursos que a ostra nativa do nosso mangue, a Crassostrea brasiliana. Isso pode prejudicar a sobrevivência da espécie local, que é parte fundamental do ecossistema e também fonte de sustento para comunidades que vivem da coleta e do cultivo de ostras.

## Por que a ostra-tampinha preocupa os cientistas

A Crassostrea brasiliana não é apenas mais uma espécie no manguezal. Ela cumpre um papel ecológico importante: filtra a água, serve de alimento para outros animais e ajuda a estabilizar o sedimento. Quando uma espécie invasora como a Saccostrea cucullata entra em cena, a competição por espaço e alimento se torna desigual.

A ostra-tampinha tem vantagens adaptativas que a tornam uma concorrente agressiva. Ela se reproduz rapidamente, tolera variações de salinidade e consegue se fixar em diferentes substratos, desde raízes de mangue até costões de pedra e estruturas artificiais de cultivo. Em pouco tempo, ela pode dominar áreas inteiras, deixando pouco espaço para a nativa se desenvolver.

## O protocolo de monitoramento criado para conter a invasão

Diante da situação, foi criado um protocolo de monitoramento para padronizar como os cientistas e órgãos ambientais devem observar essas ostras. O objetivo é entender o tamanho da invasão e criar estratégias para proteger a biodiversidade dos manguezais.

Para isso, órgãos como o Ibama e o ICMBio, junto à Unesp (Universidade Estadual Paulista) e comunidades locais, realizam buscas em manguezais, costões de pedra e até em locais onde se criam ostras para venda. A ideia é mapear a presença da Saccostrea cucullata em diferentes ambientes e entender como ela se comporta em cada um deles.

## Como os pesquisadores trabalham em campo

Os pesquisadores vão a campo pelo menos duas vezes por ano: uma no verão, época de reprodução, e outra no inverno, época de crescimento. Nos locais, eles contam quantas ostras de cada tipo existem e medem o tamanho delas usando um aparelho chamado paquímetro. Também verificam o sal da água e tiram fotos para registrar tudo.

Esse trabalho meticuloso permite construir uma base de dados sólida sobre a distribuição e a abundância da espécie invasora ao longo do tempo. Com essas informações, é possível identificar padrões de expansão e áreas mais vulneráveis.

### A importância do monitoramento sazonal

A escolha das duas épocas do ano não é aleatória. No verão, as ostras se reproduzem, liberando larvas que se espalham pela coluna d'água. É o momento crítico para entender a taxa de recrutamento, quantas novas ostras estão se fixando. No inverno, o foco é o crescimento: os pesquisadores medem o tamanho dos indivíduos para avaliar como as condições ambientais afetam o desenvolvimento.

## O papel das comunidades tradicionais na proteção dos manguezais

Um aspecto que me chamou a atenção nessa história é a participação das comunidades locais. Não são apenas cientistas de jaleco branco que estão na linha de frente. Pescadores, marisqueiros e extrativistas que dependem dos manguezais para viver também fazem parte da rede de monitoramento.

Essas pessoas conhecem o ecossistema como ninguém. Elas percebem mudanças sutis na paisagem, na quantidade de ostras disponíveis e na qualidade da água. Ao envolver as comunidades, o protocolo ganha capilaridade e eficiência, são muitos olhos espalhados pela costa, prontos para detectar a chegada da invasora em novas áreas.

## O que está em jogo: biodiversidade e sustento

A ação tem como objetivo ajudar os gestores públicos a tomar decisões rápidas para controlar a espécie invasora e garantir que a ostra nativa e o sustento das comunidades que dependem dela sejam preservados.

A Crassostrea brasiliana não é apenas um elo da cadeia ecológica. Ela é também fonte de renda para famílias inteiras que vivem da coleta e do cultivo de ostras em manguezais do Rio de Janeiro a Santa Catarina. Se a invasão da Saccostrea cucullata não for controlada, essas comunidades podem perder sua base de sustento.

## Perguntas Frequentes

### O que é a ostra-tampinha?

A Saccostrea cucullata, popularmente chamada de ostra-tampinha, é uma espécie de ostra exótica originária da Ásia que foi registrada pela primeira vez no Brasil em 2014, em Bertioga, litoral de São Paulo.

### Por que ela é considerada uma espécie invasora?

Ela ocupa o mesmo espaço e consome os mesmos recursos que a ostra nativa Crassostrea brasiliana, o que pode prejudicar a sobrevivência da espécie local, segundo estudo da Rede de Ação Local da Ostra Exótica Saccostrea cucullata.

### Onde a ostra-tampinha já foi encontrada no Brasil?

Desde 2014, ela se espalhou rapidamente e já é encontrada desde o Rio de Janeiro até Santa Catarina.

### Quem está monitorando a invasão?

O Ibama, o ICMBio, a Unesp (Universidade Estadual Paulista) e comunidades locais realizam buscas em manguezais, costões de pedra e locais de cultivo de ostras.

### Como é feito o monitoramento?

Os pesquisadores vão a campo pelo menos duas vezes por ano, no verão e no inverno, contam as ostras, medem o tamanho com paquímetro, verificam a salinidade da água e registram com fotos.

### Qual o objetivo do protocolo de monitoramento?

Padronizar a observação da espécie invasora, entender o tamanho da invasão e criar estratégias para proteger a biodiversidade dos manguezais e o sustento das comunidades tradicionais.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/cidade/especie-invasora-esta-chegando-ao-litoral-brasileiro-ameaca-nativas/
