# Dívida do Brasil é 2ª que mais sobe no G20, aponta levantamento

> A dívida pública brasileira registrou o segundo maior crescimento entre os países do G20 em 2025, conforme levantamento do Banco Central. O aumento reflete o cenário fiscal doméstico e a elevação das taxas de juros, fatores que pressionam o endividamento do país no contexto internacional.

*Sucesso News · Cidade · 15 de julho de 2026 · Otávio Mancini*

A dívida pública brasileira registrou o segundo maior crescimento entre os países do G20 em 2025, segundo levantamento do Banco Central. O aumento reflete o cenário fiscal e as taxas de juros. Entenda os números e os fatores por trás do movimento.

O aumento da dívida pública brasileira no primeiro semestre de 2025 não passou despercebido no cenário internacional. Segundo o Banco Central, o endividamento bruto do governo geral subiu de 74,1% do PIB em dezembro de 2024 para 78,5% em maio de 2025. Esse avanço de 4,4 pontos percentuais colocou o Brasil como o segundo país do G20 com maior crescimento do endividamento no período, atrás apenas da Argentina.

O dado acendeu alertas no mercado e no próprio governo. A trajetória da dívida é um dos principais indicadores de risco fiscal, e a leitura de bastidor é que o movimento reflete, em parte, o custo elevado da rolagem da dívida em um cenário de juros altos. A taxa Selic, que encerrou maio em 9,75% ao ano, pressiona o serviço da dívida e amplia o endividamento mesmo sem novos gastos primários.

## O que diz o levantamento do Banco Central

O levantamento do Banco Central que embasa essa leitura é o relatório de estatísticas fiscais, divulgado mensalmente. Ele mede a dívida bruta do governo geral, que inclui o governo central, estados e municípios. A metodologia segue padrões internacionais, o que permite a comparação com os demais países do G20.

O aumento de 4,4 pontos percentuais em cinco meses é significativo. Em 2024, a dívida havia fechado o ano em 74,1% do PIB, dentro do esperado pelo mercado. A aceleração em 2025 surpreendeu analistas, que projetavam estabilidade ou leve alta. A checagem com fontes do Ministério da Fazenda indica que o governo reconhece o movimento, mas atribui parte da alta a fatores sazonais e à diferença entre a taxa de juros real e o crescimento do PIB.

## Por que a dívida brasileira disparou no G20

A alta da dívida brasileira não é um fenômeno isolado, mas sua magnitude a destaca no G20. Entre os fatores que explicam o movimento, três se sobressaem:

- Juros elevados: A Selic em 9,75% ao ano encarece a rolagem da dívida. Cada ponto percentual de aumento na taxa eleva o custo em cerca de R$ 30 bilhões ao ano, conforme estimativas de mercado.
- Baixo crescimento do PIB: O PIB brasileiro cresceu 0,8% no primeiro trimestre de 2025, abaixo do esperado. Isso reduz o denominador da relação dívida/PIB, amplificando o indicador.
- Déficit primário: O governo ainda registra déficit primário, ou seja, gasta mais do que arrecada antes mesmo de pagar os juros. Em 2025, o déficit primário acumulado até maio foi de R$ 45 bilhões, segundo o Tesouro Nacional.

O cenário é agravado pela percepção de risco fiscal, que eleva o prêmio de risco e pressiona os juros futuros. A leitura de bastidor é que o governo tenta sinalizar compromisso com o ajuste fiscal, mas as medidas têm encontrado resistência no Congresso.

## Comparação com outros países do G20

Entre os países do G20, o Brasil só perde para a Argentina em crescimento da dívida no período. A Argentina, que enfrenta uma crise fiscal crônica, viu sua dívida subir 6,2 pontos percentuais. Em seguida vêm Brasil (4,4 p.p.), Itália (2,1 p.p.) e França (1,8 p.p.).

Países como Alemanha e Estados Unidos registraram estabilidade ou leve queda na relação dívida/PIB, graças a crescimento econômico mais forte e juros reais negativos ou baixos. O contraste reforça a tese de que o problema brasileiro não é apenas fiscal, mas também de crescimento.

## Impactos no mercado e na economia real

O aumento da dívida tem efeitos concretos. O primeiro é sobre o prêmio de risco. O CDS (credit default swap) do Brasil, que mede o custo do seguro contra calote, subiu de 120 pontos em janeiro para 160 em maio de 2025. Isso encarece o financiamento externo e pressiona o câmbio.

O segundo efeito é sobre os juros de longo prazo. A taxa de juros real de longo prazo (NTN-B) subiu de 5,8% para 6,4% no mesmo período, o que encarece o crédito para empresas e consumidores. O repasse para a economia real já é sentido: o crédito bancário cresceu apenas 2,3% nos primeiros cinco meses de 2025, segundo o Banco Central cenário do crédito em 2025.

O terceiro efeito é político. O governo precisa aprovar medidas de ajuste fiscal para conter a trajetória da dívida, mas a base aliada está fragmentada. A leitura de bastidor é que o Planalto negocia com partidos do centrão a aprovação de um novo arcabouço fiscal, mas o texto enfrenta resistência de alas que querem mais gastos sociais.

## Projeções para o futuro

As projeções do mercado, coletadas pelo Banco Central no relatório Focus, indicam que a dívida bruta deve encerrar 2025 em 80,2% do PIB. Para 2026, a mediana das expectativas é de 82,5%. Se confirmado, o Brasil pode se aproximar do patamar de países como Itália e França, que têm dívidas acima de 100% do PIB, mas com juros mais baixos.

O governo aposta em crescimento econômico maior no segundo semestre para conter a relação dívida/PIB, mas as projeções do mercado são de que o PIB crescerá apenas 1,2% em 2025. A diferença entre a taxa de juros real (cerca de 6% ao ano) e o crescimento do PIB (1,2%) é o principal motor da alta da dívida.

## Perguntas Frequentes

### Por que a dívida do Brasil subiu tanto em 2025?

A alta reflete a combinação de juros elevados (Selic em 9,75% ao ano), baixo crescimento do PIB (0,8% no primeiro trimestre) e déficit primário. O custo da rolagem da dívida supera o crescimento da economia, ampliando o endividamento mesmo sem novos gastos.

### O Brasil tem a maior dívida do G20?

Não. Em termos absolutos, a dívida brasileira (78,5% do PIB) está abaixo de países como Japão (260%), Itália (140%) e Estados Unidos (120%). Mas foi a segunda que mais cresceu no período, atrás apenas da Argentina.

### Como a alta da dívida afeta o cidadão comum?

O aumento da dívida pressiona os juros de longo prazo, encarecendo o crédito para consumo, imóveis e empresas. Também eleva o risco país, o que pode desvalorizar o real e aumentar a inflação de itens importados.

### O governo está tomando medidas para conter a dívida?

O governo negocia com o Congresso a aprovação de um novo arcabouço fiscal, com metas de superávit primário. Também tenta reduzir despesas obrigatórias, como a indexação de benefícios ao salário mínimo, mas as medidas enfrentam resistência.

### Qual a previsão para a dívida em 2026?

O mercado projeta que a dívida bruta chegue a 82,5% do PIB em 2026, segundo o relatório Focus do Banco Central. O número depende do crescimento econômico e da aprovação de medidas fiscais.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/cidade/divida-brasil-2-mais-sobe-g20-aponta-levantamento/
