CapaCidade
Cidade

'Clã Jafar': família suspeita herdou e expandiu esquema de R$ 27 milhões em compras de livros

ResumoA Operação Gutenberg, do Gaeco, investiga cinco integrantes da família Paroschi Jafar por suspeita de fraudar R$ 27 milhões em compras de livros didáticos. Prefeituras de Mato Grosso do Sul seriam pressionadas a adquirir os materiais para conseguir vagas em exames e cirurgias na rede pública de saúde.

A Operação Gutenberg, do Gaeco, investiga cinco integrantes da família Paroschi Jafar por suspeita de fraudar R$ 27 milhões em compras de livros didáticos. Prefeituras de Mato Grosso do Sul seriam pressionadas a adquirir os materiais para conseguir vagas em exames e cirurgias na

Nayara Couto
Nayara Couto Editora de Comportamento e Saúde · 20 de julho de 2026 · 5 min de leitura
'Clã Jafar': família suspeita herdou e expandiu esquema de R$ 27 milhões em compras de livros

Como a saúde de MS virou moeda de troca em esquema que fraudou R$ 27 milhões em livros

A Operação Gutenberg, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), revelou um esquema que mistura educação e saúde pública em Mato Grosso do Sul. Cinco integrantes da família Paroschi Jafar, ligada à Gráfica Alvorada e a outras empresas do setor gráfico, são suspeitos de integrar uma organização criminosa que pode ter fraudado mais de R$ 27 milhões em compras de livros didáticos. A operação foi deflagrada em 7 de julho.

De acordo com a investigação, cada um dos suspeitos exercia uma função específica no grupo. O ponto central do esquema, segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), é que prefeituras do estado eram pressionadas a comprar livros produzidos pelo grupo para conseguir vagas na Central Estadual de Regulação para exames, consultas e cirurgias. A saúde pública, portanto, teria sido usada como moeda de troca.

Quem são os investigados no 'Clã Jafar'

Entre os investigados está a empresária Rossana Paroschi Jafar, viúva do empresário Mirched Jafar Júnior. O MPMS a aponta como uma das líderes do esquema. Ela é um dos cinco integrantes da família que, segundo as investigações, herdaram e expandiram o modelo de negócio que agora é alvo da Justiça.

A família tem ligação direta com a Gráfica Alvorada e outras empresas do setor gráfico. A investigação busca detalhar como cada membro atuava dentro da suposta organização criminosa, desde a produção dos livros até a pressão sobre os gestores municipais.

O papel das prefeituras de MS no esquema

A investigação aponta que prefeituras de Mato Grosso do Sul eram coagidas a adquirir os livros didáticos produzidos pelo grupo. Em troca da compra, conseguiriam vagas na Central Estadual de Regulação, que gerencia o acesso a exames, consultas e cirurgias na rede pública de saúde. Esse mecanismo teria sido usado como alavanca para expandir o esquema.

A fraude, segundo o MPMS, pode ter ultrapassado R$ 27 milhões. O valor considera contratos e aquisições realizadas ao longo do período investigado.

Como funcionava a pressão sobre os gestores

De acordo com o processo, a pressão sobre as prefeituras era exercida de forma coordenada. O grupo usava a necessidade de acesso a serviços de saúde como instrumento de barganha. Gestores municipais que precisavam de vagas para exames ou cirurgias para a população local eram orientados a adquirir os livros como condição para obter as regulações.

Esse modelo teria sido herdado e expandido pela família após a morte de Mirched Jafar Júnior, segundo as investigações. A estrutura montada permitia que o grupo atuasse em diversas frentes, desde a produção gráfica até a negociação com o poder público.

O que diz a Operação Gutenberg

A Operação Gutenberg foi deflagrada em 7 de julho pelo Gaeco, braço do Ministério Público especializado em combate ao crime organizado. O nome da operação faz referência ao inventor da prensa móvel, Johannes Gutenberg, em alusão ao ramo de atuação dos investigados: o mercado gráfico e editorial.

As investigações correm em segredo de Justiça. Até o momento, detalhes sobre prisões ou buscas não foram divulgados integralmente. O MPMS continua aprofundando as apurações para identificar outros possíveis envolvidos e o montante exato dos prejuízos aos cofres públicos.

Impacto para os usuários da saúde pública de MS

Para quem depende do SUS em Mato Grosso do Sul, a notícia acende um alerta. Se confirmada a fraude, significa que o acesso a exames, consultas e cirurgias pode ter sido condicionado a interesses privados. A Central Estadual de Regulação, responsável por organizar filas e prioridades, teria sido usada como moeda de troca em negócios ilícitos.

A população que aguarda por atendimento pode ter sido prejudicada indiretamente, já que vagas que deveriam ser distribuídas por critérios clínicos podem ter sido desviadas para pressionar prefeituras a comprar livros.

Como a saúde pública vira moeda de troca

Esquemas como o investigado na Operação Gutenberg mostram como a intersecção entre políticas públicas e interesses privados pode gerar distorções. No caso, a saúde, direito constitucional e dever do Estado, teria sido instrumentalizada para alavancar negócios no setor editorial.

A prática, se comprovada, configura crime de organização criminosa, fraude em licitações e, possivelmente, corrupção ativa e passiva. O MPMS apura também a participação de servidores públicos que teriam facilitado o esquema.

O que fazer se suspeitar de irregularidades na sua cidade

Moradores de Mato Grosso do Sul que desconfiam de irregularidades em contratos de livros didáticos ou no acesso à regulação de saúde podem denunciar ao Gaeco, ao Ministério Público Estadual ou ao Tribunal de Contas do Estado. Denúncias anônimas também podem ser feitas pelo disque-denúncia local.

A transparência na gestão pública é um direito de todos. Acompanhar licitações e cobrar esclarecimentos dos gestores municipais é uma forma de prevenir desvios.

Perguntas Frequentes

O que é a Operação Gutenberg?

É uma investigação do Gaeco que apura um esquema de fraude de mais de R$ 27 milhões em compras de livros didáticos em Mato Grosso do Sul, envolvendo a família Paroschi Jafar.

Quem são os investigados?

Cinco integrantes da família Paroschi Jafar, ligados à Gráfica Alvorada, incluindo a empresária Rossana Paroschi Jafar, apontada como uma das líderes.

Como a saúde pública foi usada no esquema?

Segundo o MPMS, prefeituras eram pressionadas a comprar livros do grupo para conseguir vagas na Central Estadual de Regulação para exames, consultas e cirurgias.

Qual o valor da fraude?

A investigação aponta que o esquema pode ter fraudado mais de R$ 27 milhões em contratos de livros didáticos.

Como denunciar irregularidades?

Denúncias podem ser feitas ao Gaeco, ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul ou ao Tribunal de Contas do Estado, inclusive de forma anônima.

Operação Gutenberg MS Gaeco Fraude em licitações de livros didáticos

// Leia também

Publicidade