China diz ter realizado levantamento das águas a leste de Taiwan
O Ministério de Recursos Naturais da China afirma ter concluído, em agosto, um levantamento das águas a leste de Taiwan para criar um "mapa único" de gestão territorial. A Guarda Costeira da ilha condenou a ação e nega jurisdição chinesa sobre a região.
O Ministério de Recursos Naturais da China afirma ter concluído, no mês passado, um levantamento das águas a leste de Taiwan. A operação, realizada entre 10 e 31 de agosto, servirá de base para um "mapa único" de planejamento territorial e gestão de recursos, segundo informou a emissora estatal CCTV nesta quinta-feira (3).
O objetivo declarado foi compreender a geologia básica e as características estruturais do leito marinho nas áreas sob jurisdição chinesa. A Guarda Costeira de Taiwan, porém, diz que monitorou cada movimento das embarcações de Pequim durante todo o período. Em 21 de agosto, a autoridade taiwanesa já havia informado que advertiu e acompanhou um navio de pesquisa chinês em águas sensíveis próximas à ilha, a terceira aparição da embarcação desde maio, em ação que Taipei trata como parte de uma série de provocações marítimas.
A resposta veio nesta quinta-feira, quando a Guarda Costeira da China anunciou patrulhas rotineiras de fiscalização nas mesmas águas, a terceira operação do tipo desde junho. A Guarda Costeira de Taiwan reagiu com condenação veemente, afirmando que Pequim "não tem absolutamente nenhuma jurisdição" sobre as águas ao redor da ilha.
O pano de fundo é conhecido: a China considera Taiwan, governado democraticamente, parte de seu território e não reconhece as reivindicações de soberania de Taipei, inclusive sobre as águas ao redor. Taipei, por sua vez, rejeita as pretensões de Pequim. O levantamento, apresentado como iniciativa técnica de mapeamento, chega em meio a um histórico recente de aproximações navais e patrulhas crescentes, o que sugere que o gesto carrega leitura estratégica para além da ciência.
Para quem acompanha a região, o que chama atenção é a regularidade: três aparições de navio de pesquisa desde maio e três patrulhas de fiscalização desde junho. A repetição indica método, não acaso. Resta saber se o "mapa único" anunciado pelo ministério chinês ficará apenas no papel ou se virará instrumento de pressão concreta nas águas disputadas do Estreito.