Safra recorde de soja 2026/27: Brasil colhe 170 mi t, mas El Niño ameaça
Brasil deve colher safra recorde de soja em 2026/27, com produção estimada em 170 milhões de toneladas. O volume supera o ciclo anterior, mas o fenômeno El Niño traz risco de quebra de produtividade no Sul e Centro-Oeste. Especialistas apontam medidas de mitigação.
O Brasil deve colher safra recorde de soja em 2026/27, com produção estimada em 170 milhões de toneladas, segundo a Conab. O volume representa um aumento de 12% sobre o ciclo anterior. No entanto, o fenômeno El Niño, previsto para o verão, ameaça reduzir a produtividade em até 15% nas regiões Sul e Centro-Oeste, com chuvas excessivas e ondas de calor.
O que o El Niño pode causar na safra de soja? O fenômeno altera o regime de chuvas: no Sul, o excesso provoca encharcamento e doenças fúngicas; no Centro-Oeste, o calor intenso acelera o ciclo e reduz o enchimento de grãos. Dados do Inmet indicam que, em anos de El Niño forte, a produtividade caiu 18% no Rio Grande do Sul e 12% em Mato Grosso.
A Conab já alerta que a área plantada deve crescer 3,2%, para 47 milhões de hectares, mas o rendimento por hectare pode cair de 3.600 kg/ha para 3.100 kg/ha se o El Niño se confirmar. O produtor precisa se preparar.
Medidas de mitigação contra o El Niño na soja
Para reduzir as perdas, o produtor pode adotar:
- Drenagem eficiente: em áreas do Sul, valetas e drenos reduzem o encharcamento.
- Cultivares tolerantes: variedades desenvolvidas pela Embrapa suportam até 10 dias de alagamento.
- Plantio escalonado: distribuir o plantio em janelas de 20 a 30 dias evita que toda a lavoura seja atingida por um evento climático severo.
- Monitoramento climático: o Inmet e a Conab emitem boletins semanais com previsão de chuvas e temperaturas.
O histórico mostra que, mesmo com El Niño, o Brasil colheu safras recordes em 2015/16 e 2019/20, graças ao avanço tecnológico e ao manejo adaptativo.
Impacto nos preços e no mercado global
A safra recorde, mesmo com risco climático, deve pressionar os preços para baixo. A cotação da soja em Chicago caiu 8% desde o anúncio da Conab, com estoques mundiais elevados. O Brasil, maior exportador global, responde por 40% do comércio mundial de soja.
Se o El Niño reduzir a produtividade, os estoques podem se ajustar, e os preços se estabilizam. A expectativa do mercado é de que o Brasil embarque 105 milhões de toneladas em 2027, um recorde também nas exportações.
O que o produtor deve fazer agora
O planejamento começa com a escolha da cultivar. A Embrapa recomenda materiais de ciclo médio (110 a 120 dias) para evitar o período crítico de enchimento de grãos durante as ondas de calor. A adubação com potássio e enxofre também ajuda a fortalecer a planta contra estresse hídrico.
O seguro rural é outra ferramenta. Em 2025, apenas 18% das lavouras de soja estavam seguradas. Com o El Niño, a adesão deve crescer. O produtor deve contratar cobertura até 30 dias após o plantio.
Perguntas Frequentes
O El Niño sempre reduz a produtividade da soja?
Não. Em anos de El Niño moderado, a produtividade pode até aumentar no Centro-Oeste, com chuvas regulares. O risco maior é no Sul, com excesso de chuvas.
Qual a previsão de safra de soja para 2026/27?
A Conab estima 170 milhões de toneladas, um recorde. Mas o El Niño pode reduzir o volume para 155-160 milhões de toneladas.
Como o produtor pode se preparar para o El Niño?
Com drenagem, cultivares tolerantes, plantio escalonado e seguro rural. O monitoramento climático semanal é essencial.
A soja brasileira é competitiva mesmo com o El Niño?
Sim. O Brasil continua sendo o maior exportador, com custos de produção mais baixos que os EUA. O câmbio favorável também ajuda.
Quando começa o plantio da safra 2026/27?
Em setembro de 2026, no Centro-Oeste, e em outubro, no Sul. A colheita vai de janeiro a abril de 2027.