# Avião da Voepass não deveria sequer ter decolado, diz Cenipa

> O relatório final do Cenipa concluiu que o avião da Voepass, que caiu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024, não deveria ter decolado. A aeronave operava com o sistema de proteção contra gelo inoperante, condição que comprometeu a segurança do voo e contribuiu para o acidente.

*Sucesso News · Cidade · 24 de julho de 2026 · Nayara Couto*

O relatório final do Cenipa concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024 não deveria sequer ter decolado nas condições em que foi liberado. A aeronave operava com o sistema de proteção contra gelo inoperante.

## Avião da Voepass não deveria sequer ter decolado, diz Cenipa

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, não deveria sequer ter decolado nas condições em que foi liberado para o voo. A aeronave operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo, inoperante. Nessas condições, caso houvesse possibilidade de formação de gelo durante o trajeto, o voo não deveria ter sido autorizado.

## O que diz o relatório do Cenipa sobre a decolagem

O ATR-72, de matrícula PS-VPB, fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando encontrou condições severas para formação de gelo durante o voo de cruzeiro. O acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave comprometeu seu desempenho, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e a queda sobre uma área residencial de Vinhedo. Ao todo, morreram 58 passageiros e quatro tripulantes.

Para os investigadores, mesmo com a pane conhecida no sistema de proteção contra gelo, a aeronave foi despachada para o voo. A comissão de investigação concluiu que a decolagem ocorreu em desacordo com os requisitos operacionais, uma vez que o sistema de proteção pneumática contra gelo estava indisponível.

## Falhas da tripulação durante o voo

Além da falha no despacho da aeronave, o relatório identificou erros da tripulação durante o voo. Segundo o Cenipa, os pilotos demoraram a reconhecer a degradação do desempenho da aeronave causada pelo gelo e não executaram, em tempo oportuno, os procedimentos previstos pelo fabricante para abandonar a área de formação severa de gelo e manter a velocidade mínima de segurança.

O documento ressalta, contudo, que ambos estavam regularmente habilitados e haviam recebido treinamento específico para operações em condições de gelo e recuperação de perda de controle. Ou seja, o problema não foi falta de habilitação, mas de tomada de decisão em tempo real.

## Problemas estruturais na cultura de segurança da Voepass

A investigação também encontrou problemas estruturais na cultura de segurança operacional da Voepass. A análise de mais de 1.200 voos da aeronave revelou que situações semelhantes já haviam ocorrido anteriormente, com registros recorrentes de degradação de desempenho, falhas no sistema de degelo, múltiplos reinícios do sistema Airframe De-Icing e alertas ignorados pelas tripulações.

Isso indica que o problema não foi isolado: a empresa já vinha operando com falhas conhecidas no sistema de proteção contra gelo, sem que medidas corretivas fossem tomadas a tempo.

## O que diz a Anac sobre as conclusões do Cenipa

Em nota enviada à CNN Brasil, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que iniciará a etapa de análise técnica detalhada das conclusões apontadas e das recomendações relacionadas às competências da Anac.

"As investigações conduzidas pelo Cenipa têm caráter exclusivamente preventivo e não se destinam à atribuição de culpa ou responsabilização, mas à identificação de fatores que contribuíram para o acidente e de recomendações para aprimorar o sistema de segurança operacional da aviação civil", diz a nota.

## Lições para a segurança da aviação

O caso reforça a importância de não despachar aeronaves com sistemas de segurança inoperantes, mesmo em rotas onde a formação de gelo é possível. A cultura de segurança operacional precisa ser prioridade: falhas conhecidas não podem ser ignoradas, e o treinamento das tripulações deve incluir cenários reais de estresse e tomada de decisão.

Para quem voa, a mensagem é clara: a segurança depende de múltiplos fatores, desde o despacho correto da aeronave até a reação adequada da tripulação em emergência. O relatório do Cenipa serve como alerta para toda a aviação civil.

## Perguntas Frequentes

### O que causou a queda do avião da Voepass em Vinhedo?

O acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave comprometeu seu desempenho, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e a queda. A aeronave decolou com o sistema de degelo inoperante.

### Quantas pessoas morreram na queda do avião da Voepass?

Ao todo, morreram 58 passageiros e quatro tripulantes, totalizando 62 vítimas.

### O Cenipa atribuiu culpa a alguém pelo acidente?

Não. As investigações do Cenipa têm caráter exclusivamente preventivo e não se destinam à atribuição de culpa ou responsabilização.

### O que a Anac fará com as conclusões do Cenipa?

A Anac informou que iniciará a etapa de análise técnica detalhada das conclusões e das recomendações relacionadas às suas competências.

### O sistema de degelo do ATR-72 já havia apresentado falhas antes?

Sim. A análise de mais de 1.200 voos da aeronave revelou registros recorrentes de falhas no sistema de degelo, múltiplos reinícios do sistema Airframe De-Icing e alertas ignorados pelas tripulações.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/cidade/aviao-voepass-nao-deveria-sequer-ter-decolado-diz-cenipa/
