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Apreensão de ouro dispara 830% e expõe nova rota do garimpo ilegal

ResumoA apreensão de ouro ilegal pela PRF cresceu 830% no primeiro semestre de 2025, totalizando 51,75 kg contra menos de 6 kg no mesmo período de 2024. Pará e Roraima concentram 82% do total apreendido. A mudança na lei de 2013 expõe uma nova rota do garimpo ilegal na fronteira Norte do Brasil.

Apreensão de ouro dispara 830% no 1º semestre. PRF apreendeu 51,75 kg de ouro ilegal, contra menos de 6 kg em 2025. Pará e Roraima concentram 82% do total. Mudança na lei de 2013 expõe nova rota do garimpo ilegal na fronteira Norte.

Otávio Mancini
Otávio Mancini Repórter de Política e Bastidores · 19 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Apreensão de ouro dispara 830% e expõe nova rota do garimpo ilegal

Apreensão de ouro dispara 830% e expõe nova rota do garimpo ilegal

No primeiro semestre de 2026, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 51,75 kg de ouro ilegal - 830,76% a mais do que no mesmo período de 2025, quando foram apreendidos menos de 6 kg do metal. Os dados foram cedidos pela PRF a pedido do g1. Dois estados concentram a maior parte da apreensão: Pará (26,52 kg) e Roraima (15,64 kg). A região Norte, principalmente da fronteira, tem se tornado o epicentro da nova rota do garimpo ilegal após mudanças na legislação e a valorização do metal, segundo Larissa Rodrigues, diretora de pesquisa do Instituto Escolhas.

O salto nas apreensões e o que ele revela

O volume de ouro apreendido nos primeiros seis meses de 2026 supera em mais de oito vezes o registrado no mesmo período do ano anterior. A comparação mostra uma mudança de patamar na atuação da PRF e na escala do garimpo ilegal na região Norte. Enquanto em 2025 as apreensões somavam menos de 6 kg, agora o total ultrapassa 51 kg - um salto que, segundo fontes da corporação, reflete tanto o aumento da fiscalização quanto a intensificação do fluxo ilegal.

Pará e Roraima, juntos, respondem por 42,16 kg, ou 82% do total apreendido. A concentração geográfica aponta para a fronteira Norte como o novo corredor logístico do ouro extraído sem licença ambiental ou origem legal.

O fim da presunção de boa-fé e o impacto na lavagem do ouro

A Lei 12.844, de 2013, garantia a "presunção de legalidade do ouro comprado" e a "boa-fé do comprador". Na prática, instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central não enfrentavam obstáculos jurídicos para comprar ouro sem comprovação documental da origem. Esse mecanismo, segundo especialistas, facilitava a lavagem do metal extraído ilegalmente.

A revogação ou alteração desse dispositivo legal, conforme apurado, mudou o cenário. O fim da boa-fé presumida obrigou compradores a exigir lastro documental - e expôs a rota que antes operava à sombra da lei. A diretora de pesquisa do Instituto Escolhas, Larissa Rodrigues, aponta que a combinação entre a mudança legislativa e a valorização do ouro no mercado internacional redesenhou o mapa do garimpo ilegal.

A nova rota: fronteira Norte como epicentro

A região Norte, especialmente as áreas de fronteira de Roraima e Pará, tornou-se o principal eixo de escoamento do ouro ilegal. A proximidade com países vizinhos, a presença de garimpos históricos e a capilaridade de rotas fluviais e terrestres explicam a concentração. A PRF, em operações recentes, identificou que o metal segue para centros de beneficiamento em Manaus e Belém, de onde é exportado ou inserido no mercado formal.

O movimento de apreensão, embora expressivo, ainda é visto por analistas como a ponta de um iceberg. O volume total de ouro extraído ilegalmente na Amazônia, segundo estimativas, supera em muito o que é interceptado.

O que esperar daqui para frente

A tendência, segundo fontes ouvidas, é de que a fiscalização se intensifique nos pontos de saída da região Norte, com a PRF ampliando o uso de inteligência e raios-X em barreiras rodoviárias. O debate no Congresso sobre a rastreabilidade do ouro, por sua vez, deve ganhar tração, com propostas de certificação obrigatória para toda a cadeia.

Enquanto isso, a nova rota do garimpo ilegal segue em operação - e os números de apreensão, embora recordes, ainda não refletem o tamanho real do problema.

Perguntas Frequentes

O que motivou o aumento de 830% nas apreensões de ouro?

A combinação de mudança na legislação, que eliminou a presunção de boa-fé do comprador, e a valorização do metal, que ampliou o garimpo ilegal na região Norte.

Quais estados concentram as maiores apreensões?

Pará, com 26,52 kg, e Roraima, com 15,64 kg, respondem por 82% do total apreendido pela PRF no primeiro semestre de 2026.

O que era a Lei 12.844 e por que ela mudou?

A lei de 2013 garantia a presunção de legalidade do ouro comprado e a boa-fé do comprador. Seu fim obrigou instituições financeiras a exigir comprovação documental da origem do metal.

Quem é Larissa Rodrigues e qual sua análise?

Diretora de pesquisa do Instituto Escolhas, ela aponta que a região Norte se tornou o epicentro da nova rota do garimpo ilegal após as mudanças legais e a valorização do ouro.

O que a PRF espera para o próximo semestre?

A tendência é de intensificação da fiscalização nos pontos de saída da região Norte, com uso de inteligência e tecnologia para interceptar o fluxo ilegal.

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