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Análise: trajeto de rios influencia locais de alagamentos no RS

ResumoO trajeto dos rios no Rio Grande do Sul influencia diretamente os locais de alagamentos no estado. Mesmo com pausa nas chuvas, 206 municípios foram afetados e mais de 1.800 pessoas estão fora de casa. O Lago Guaíba sobe gradualmente, agravando a situação.

O analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, explica como o trajeto dos rios do RS influencia os alagamentos. Mesmo com pausa nas chuvas, 206 municípios foram afetados e mais de 1.800 pessoas estão fora de casa. O Lago Guaíba sobe gradualmente.

Tarcísio Bonfim
Tarcísio Bonfim Repórter de Esporte Local · 24 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Análise: trajeto de rios influencia locais de alagamentos no RS

O Rio Grande do Sul segue em alerta mesmo com a pausa nas chuvas. O último balanço da Defesa Civil aponta 206 municípios afetados e mais de 1.800 pessoas fora de casa, a maioria desabrigada. O analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes, avaliou ao Live CNN que o trajeto dos rios da região é o fator que influencia diretamente os locais de alagamento no estado.

O governo do estado informou que há 21 abrigos ativos espalhados por 18 cidades gaúchas. Ao mesmo tempo, alertas de alto risco para inundação foram emitidos para General Câmara (RS) e Charqueadas (RS), no rio Jacuí, e São Borja (RS), no rio Uruguai.

Como o trajeto dos rios define os pontos de alagamento no RS

De acordo com Pedro Côrtes, toda a água que caiu nas cabeceiras dos rios Taquari e Jacuí ainda está descendo em direção às áreas mais baixas, incluindo Porto Alegre (RS) e a região metropolitana. "Toda a água está ainda afluindo para as regiões mais baixas e mesmo em Porto Alegre agora, com o tempo bom, céu limpo, há preocupação com inundações, com alagamentos, exatamente porque toda essa água que caiu nos dias anteriores está descendo em direção às áreas mais baixas", afirmou o analista.

O solo já está encharcado e os níveis dos rios e arroios continuam elevados, o que reduz drasticamente a capacidade de absorção de novas chuvas. "Com isso, qualquer chuva mais intensa que caia na cabeceira dos rios vai acabar impactando Porto Alegre, porque o solo não tem mais capacidade de absorção do excedente", alertou Pedro Côrtes.

A elevação do Lago Guaíba e os riscos em Porto Alegre

Na capital gaúcha, o Lago Guaíba apresenta elevação gradual do nível, com previsão de alta mais intensa entre sexta-feira (24) e sábado (25). O nível ainda está abaixo da cota de inundação nos pontos de medição do Cais Mauá e na região das ilhas. No entanto, algumas vias ribeirinhas já estão alagadas.

A repórter da CNN Gabriela Garcia explicou: "São locais que, tradicionalmente, acabam sendo alagados na região das ilhas de Porto Alegre e que, nesse momento, estão demandando uma atenção maior da Defesa Civil". A elevação do Guaíba é consequência do grande volume de chuva registrado nas bacias dos rios Taquari e Caí nos dias anteriores. A Defesa Civil de Porto Alegre (RS) informou que segue acompanhando de perto a evolução do lago, especialmente nas regiões das ilhas e nas demais áreas suscetíveis.

Vale do Taquari: recuperação após a cheia

No Vale do Taquari, o rio em Lajeado baixou mais de três metros, saindo da cota de inundação. A repórter Jéssica Malman, que acompanhava a situação no local, relatou que a prefeitura acredita que, até o fim desta sexta-feira (24), o rio retorne ao seu curso normal de 13 metros, permitindo que as famílias voltem para suas residências.

Cerca de 168 famílias permanecem abrigadas no Parque do Imigrante, aguardando a autorização prevista para o final da tarde. As ruas e avenidas do município já passam por limpeza desde o início da manhã, com uso de caminhões-pipa. Jéssica Malman também relatou que, à medida que as águas baixam, peixes mortos trazidos pelo rio Taquari são encontrados às margens das estradas. "Agora, além da questão do lodo, das mobílias e do lixo, a gente também está encontrando alguns animais pela estrada", descreveu a repórter.

Previsão de novas chuvas e o alerta que se mantém

Pedro Côrtes explicou por que o alerta se mantém mesmo com a melhora do tempo. Ele mencionou a previsão de retorno das chuvas no final de semana e início da semana seguinte, com possibilidade de volumes intensos em determinadas áreas, mantendo o estado em situação de atenção.

A região de Canoas, na Grande Porto Alegre, foi citada como exemplo dos riscos envolvidos. A área, banhada pelo rio dos Sinos, ficou completamente submersa em 2024, afetando cerca de 50 mil famílias. "Foi uma tragédia há dois anos", recordou Pedro Côrtes.

Perguntas Frequentes

Por que o trajeto dos rios influencia os alagamentos no RS?

Segundo o analista Pedro Côrtes, a água que cai nas cabeceiras dos rios Taquari e Jacuí desce para as áreas mais baixas, como Porto Alegre e região metropolitana, causando alagamentos mesmo com tempo bom.

Quantos municípios gaúchos foram afetados pelos temporais?

O último balanço da Defesa Civil aponta 206 municípios afetados no Rio Grande do Sul.

Quantas pessoas estão fora de casa no RS?

Mais de 1.800 pessoas estão fora de suas casas, a maioria desabrigadas, segundo a Defesa Civil.

Qual a situação do Lago Guaíba em Porto Alegre?

O Lago Guaíba apresenta elevação gradual do nível, com previsão de alta mais intensa entre sexta (24) e sábado (25). O nível ainda está abaixo da cota de inundação no Cais Mauá e nas ilhas.

O que aconteceu no Vale do Taquari?

O rio em Lajeado baixou mais de três metros, saindo da cota de inundação. A prefeitura espera que o rio retorne ao curso normal de 13 metros até o fim de sexta-feira (24).

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