Alvo da PF, Raimundo Cutrim acusa Flávio Dino de perseguição política e troca de sentenças
Alvo de operação da PF determinada por Flávio Dino, Raimundo Cutrim acusa o ministro do STF de perseguição política e denuncia suposta troca de sentenças por apoio eleitoral em 2024.
Alvo da PF, Raimundo Cutrim acusa Flávio Dino de perseguição política e troca de sentenças
O secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal a pedido do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino. Dias antes de os mandados de busca e apreensão serem cumpridos, Cutrim gravou um vídeo no qual faz graves acusações contra o magistrado, classificando-o como seu "inimigo pessoal e político reconhecido" desde a época em que Dino era governador do estado e ele, deputado estadual.
A operação foi determinada por Flávio Dino, e Cutrim, que é delegado aposentado da PF e ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão por duas vezes, reagiu publicamente. No vídeo, gravado em 11 de julho, o secretário afirmou já ter sido alertado sobre a iminente ação policial, informação que circulava como um "boato" espalhado por parlamentares "dinistas".
A denúncia de perseguição política
Cutrim não poupou críticas ao ministro, a quem acusa de usar o cargo para persegui-lo. "Ele é meu inimigo pessoal e político reconhecido, desde a época em que Dino era governador e eu, deputado estadual", declarou o secretário no vídeo. A rivalidade entre os dois não é nova, mas ganhou contornos mais sérios com a operação da PF.
O ponto central da denúncia de Cutrim é a falta de imparcialidade de Flávio Dino para relatar o caso. Para o secretário, a relação pessoal e política entre ambos deveria impedir o ministro de atuar no processo. Ele defendeu sua trajetória, ressaltando ter uma "vida limpa", e questionou a motivação por trás da medida.
A acusação de troca de sentenças
O ponto mais grave do vídeo, no entanto, é a acusação de que parlamentares ligados a Flávio Dino se posicionaram como "portadores de recados", propondo a troca de sentenças de Dino por apoio em redutos eleitorais nas eleições de 2024. A denúncia sugere que aliados do ministro teriam oferecido benefícios judiciais em troca de suporte político, o que, se confirmado, configuraria um grave desvio ético e legal.
Cutrim não apresentou provas concretas no vídeo, mas a acusação ganhou repercussão por vir de um ex-delegado da PF que conhece os meandros do sistema judicial. Ele afirmou que a proposta partiu de parlamentares "dinistas", sem nomear especificamente quem seriam esses interlocutores.
O caso Tec Office e o parentesco distante
Cutrim também abordou no vídeo sua relação com o homicídio no caso Tec Office. Ele reconheceu um parentesco distante com Gilbson César Soares, autor confesso do crime, mas acusou o grupo político de Dino de utilizar o caso de forma oportunista. "Gilbson matou à luz do dia e confessou repetidas vezes que o fez por problemas pessoais", declarou Cutrim, tentando se distanciar do ocorrido.
O secretário, que já foi secretário de Segurança Pública do Maranhão, usou sua experiência na área para argumentar que o crime não tem relação com sua vida pública. Para ele, a tentativa de ligá-lo ao homicídio é parte de uma estratégia de perseguição política.
A "onda de terror" no Maranhão
No vídeo, Cutrim denunciou o que chamou de uma "onda de terror" promovida por aliados de Dino no estado. Ele afirmou que parlamentares ligados ao ministro estariam espalhando boatos sobre a iminente ação policial, criando um clima de intimidação. A expressão "onda de terror" foi usada para descrever o que ele considera uma perseguição sistemática contra seus opositores.
A denúncia de Cutrim ocorre em um contexto de forte polarização política no Maranhão, onde Flávio Dino e seus aliados têm grande influência. O secretário, que é uma figura conhecida na política local, parece apostar na repercussão do vídeo para ganhar apoio e questionar a legalidade da operação.
Repercussão e próximos passos
Até o momento, Flávio Dino não se manifestou publicamente sobre as acusações feitas por Cutrim. O STF também não emitiu comunicado oficial sobre o caso. A operação da PF, no entanto, já foi cumprida, e os mandados de busca e apreensão foram executados.
Cutrim, que é secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, deve continuar usando o vídeo como base de sua defesa. A acusação de troca de sentenças, por sua gravidade, pode gerar desdobramentos judiciais e políticos nos próximos dias.
Perguntas Frequentes
Quem é Raimundo Cutrim?
Raimundo Cutrim é secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-secretário de Segurança Pública do estado por duas vezes.
O que Cutrim acusa Flávio Dino de fazer?
Cutrim acusa Flávio Dino de perseguição política e de usar aliados para propor troca de sentenças por apoio eleitoral nas eleições de 2024.
Qual a relação de Cutrim com o caso Tec Office?
Cutrim reconhece parentesco distante com Gilbson César Soares, autor confesso do homicídio no caso Tec Office, mas nega envolvimento e acusa o grupo de Dino de usar o crime de forma oportunista.
Quando foi gravado o vídeo de Cutrim?
O vídeo foi gravado em 11 de julho, dias antes de Cutrim ser alvo dos mandados de busca e apreensão da Polícia Federal.
Flávio Dino já respondeu às acusações?
Até o momento, Flávio Dino não se manifestou publicamente sobre as acusações feitas por Cutrim.