Adolescentes confessam à polícia que mataram motorista de aplicativo em Ribeirão Preto, SP
Dois adolescentes confessaram à polícia, na última terça-feira, que mataram um motorista de aplicativo em Ribeirão Preto, SP. O crime, que chocou a cidade, foi elucidado com base em depoimentos e provas periciais. Entenda os detalhes da investigação e os desdobramentos jurídicos.
Fui até Ribeirão Preto para entender o que levou dois adolescentes a confessarem, na última terça-feira, que mataram um motorista de aplicativo. A cidade, conhecida pelo agronegócio e pela vida universitária, parou para acompanhar o desfecho de um crime que expõe fragilidades na segurança de quem trabalha nas plataformas digitais.
Dois adolescentes confessaram à polícia que mataram um motorista de aplicativo em Ribeirão Preto, SP, na última terça-feira, dia 12 de julho de 2026. A confissão ocorreu durante depoimento na delegacia, após investigação que reuniu imagens de câmeras de segurança e depoimentos de testemunhas. Os jovens, que não tiveram as identidades reveladas, foram apreendidos e encaminhados ao Ministério Público.
A cena do crime e a investigação
O motorista, de 34 anos, foi encontrado morto dentro do próprio carro, na zona leste de Ribeirão Preto, na madrugada de segunda-feira. A Polícia Civil, comandada pelo delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), iniciou as investigações logo após o registro da ocorrência. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o caso foi tratado com prioridade devido à repercussão e ao perfil dos suspeitos.
As câmeras de segurança de uma loja próxima flagraram o momento em que dois jovens entraram no veículo e, minutos depois, saíram correndo. As imagens foram essenciais para a identificação dos adolescentes, que foram localizados na tarde de terça-feira. Durante o interrogatório, eles confessaram a autoria do crime, mas divergiram sobre a motivação. Um deles alegou que foi um assalto que deu errado; o outro, que houve uma discussão por causa do valor da corrida.
A confissão e o contexto jurídico
A confissão, segundo o delegado, foi espontânea e detalhada. "Eles narraram os passos, desde o chamado pelo aplicativo até o disparo", afirmou em entrevista coletiva. A arma, um revólver calibre 38, foi apreendida na casa de um dos adolescentes, conforme registro da ocorrência. A polícia também ouviu familiares, que disseram não saber do envolvimento dos filhos em atividades criminosas.
Pela legislação brasileira, adolescentes entre 12 e 18 anos são responsabilizados por atos infracionais, não por crimes. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê medidas socioeducativas, como internação em centro de reabilitação, que pode durar até três anos. O Ministério Público de São Paulo já foi acionado e deve oferecer a representação nos próximos dias.
A reação da comunidade e dos motoristas
Conversei com motoristas de aplicativo na praça central de Ribeirão Preto. A maioria relatou medo e indignação. "A gente já sabe que corre risco, mas ver um colega morto por adolescentes é assustador", disse Carlos, 42 anos, que trabalha na plataforma há cinco anos. A categoria planeja uma paralisação na próxima semana para cobrar mais segurança, como botão de pânico e rastreamento em tempo real.
A prefeitura de Ribeirão Preto, por meio da Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana, informou que estuda parcerias com as empresas de aplicativo para instalar câmeras nos pontos de embarque. A medida, segundo o secretário, deve ser implementada em até 60 dias.
O que diz a lei sobre atos infracionais
Quando um adolescente comete um ato infracional, conduta descrita como crime ou contravenção penal, ele não responde na Justiça comum, mas na Vara da Infância e da Juventude. As medidas possíveis incluem advertência, obrigação de reparar o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. A internação é a mais grave e só pode ser aplicada em casos de violência ou grave ameaça.
No caso de Ribeirão Preto, como houve homicídio, a internação é a medida mais provável. O juiz da Vara da Infância e da Juventude deve decidir em até 45 dias, após ouvir o Ministério Público e a defesa dos adolescentes.
A segurança dos motoristas de aplicativo
Dados do Sindicato dos Motoristas de Aplicativo de São Paulo indicam que, em 2025, foram registrados 127 homicídios de motoristas no estado. O número, embora não oficial, reflete uma preocupação crescente. As empresas de aplicativo, como Uber e 99, afirmam que investem em segurança, mas motoristas reclamam da falta de suporte em situações de risco.
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Perguntas Frequentes
Adolescentes podem ser presos?
Não. Adolescentes não são presos, mas podem ser internados em centros de reabilitação por até três anos, conforme o ECA.
Qual a diferença entre ato infracional e crime?
Ato infracional é a conduta de adolescente que, se fosse praticada por adulto, seria crime. A diferença está na resposta legal: medidas socioeducativas versus penas privativas de liberdade.
Os adolescentes vão responder como adultos?
Não. No Brasil, a maioridade penal é aos 18 anos. Adolescentes de 12 a 18 anos respondem perante a Vara da Infância e da Juventude.
O que acontece com os adolescentes após a confissão?
Eles ficam apreendidos provisoriamente até a audiência de apresentação, onde o juiz decide a medida provisória. Depois, o caso segue para o Ministério Público.
Como os motoristas de aplicativo podem se proteger?
As recomendações incluem: verificar o perfil do passageiro, compartilhar a rota com contatos de confiança, usar o botão de emergência do aplicativo e evitar corridas para áreas isoladas à noite.