# Adolescente presenciou violência contra mãe antes de matar pai no Paraná, diz delegado

> O adolescente de 17 anos que matou o pai a facadas no Paraná presenciou repetidos episódios de violência doméstica contra a mãe, conforme confirmado pelo delegado responsável pelo caso. O crime ocorreu na residência da família. A rede de apoio atua para oferecer assistência psicológica e jurídica ao jovem e à mãe.

*Sucesso News · Cidade · 15 de julho de 2026 · Nayara Couto*

Um adolescente de 17 anos matou o pai a facadas em casa, no Paraná, após presenciar repetidos episódios de violência doméstica contra a mãe. O delegado responsável pelo caso confirmou o histórico de agressões. Entenda os desdobramentos e como a rede de apoio atua nesses casos.

Na última semana, um caso chocou o interior do Paraná: um adolescente de 17 anos matou o próprio pai a facadas dentro de casa. A motivação, segundo a polícia, está diretamente ligada a um histórico de violência doméstica contra a mãe do jovem, violência que ele teria presenciado em outras ocasiões. O delegado responsável pelo inquérito confirmou os relatos de agressões anteriores.

Segundo o delegado, o adolescente presenciou outros episódios de violência doméstica contra a mãe antes de desferir a facada que matou o pai no Paraná. O caso está sendo investigado como legítima defesa, considerando o histórico de agressões. A família recebe acompanhamento psicológico e social desde o ocorrido.

## O que a polícia descobriu sobre o histórico de violência

De acordo com o delegado titular da investigação, o adolescente já havia relatado a parentes e professores que presenciava agressões do pai contra a mãe desde a infância. "Ele disse que não aguentava mais ver a mãe apanhando", afirmou a autoridade em entrevista coletiva. A declaração foi corroborada por testemunhas vizinhas da família.

A Polícia Civil do Paraná informou que, nos últimos dois anos, ao menos três boletins de ocorrência foram registrados contra o pai por violência doméstica, todos arquivados posteriormente por falta de provas ou desistência da vítima. O dado reforça o padrão de subnotificação e revitimização que marca muitos casos de violência doméstica no Brasil.

## Como a violência doméstica afeta crianças e adolescentes

Profissionais de saúde e assistência social alertam que crianças e adolescentes expostos à violência doméstica apresentam maior risco de desenvolver transtornos de ansiedade, depressão e comportamento agressivo. A psicóloga clínica Ana Paula Mendes, especialista em violência familiar, explica: "A exposição contínua à violência entre os pais pode levar o adolescente a sentir medo, culpa e, em casos extremos, agir para proteger a mãe ou a si mesmo".

A Secretaria de Saúde do Paraná oferece, desde 2023, o programa "Família Protegida", que encaminha crianças e adolescentes em situação de violência para atendimento psicosspecializado. Em 2025, o programa atendeu mais de 1.200 famílias em todo o estado.

## O que diz a lei sobre a situação do adolescente

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê que adolescentes entre 12 e 18 anos podem ser responsabilizados por atos infracionais, mas com medidas socioeducativas, não penas privativas de liberdade comuns. No caso em questão, a defesa do jovem alega legítima defesa de terceiro, no caso, a mãe, o que, se comprovado, pode excluir a ilicitude do ato.

A Justiça ainda não se manifestou sobre o mérito. O adolescente está em internação provisória enquanto aguarda decisão judicial. A mãe, por sua vez, recebe acompanhamento da rede de proteção à mulher e já foi incluída no programa de proteção a vítimas de violência doméstica.

## Mitos comuns sobre violência doméstica e adolescentes

Um mito recorrente é que "quem ama não bate", mas a violência doméstica raramente é física apenas. Muitas famílias vivem ciclos de agressão psicológica e financeira que passam despercebidos. Outro mito é que adolescentes que presenciam violência "se acostumam", na verdade, o trauma se acumula e pode explodir em atos extremos, como o registrado no Paraná.

Nós, como sociedade, precisamos desmontar essas crenças. A saúde pública recomenda que qualquer sinal de violência doméstica seja denunciado ao Ligue 180 ou à polícia local. Quanto mais cedo a rede de apoio age, menores os riscos de tragédias.

## Como a rede de apoio pode prevenir casos como este

Especialistas em saúde pública defendem que a prevenção passa por três pilares: denúncia precoce, acolhimento psicológico e fortalecimento da rede de proteção. No Paraná, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de cada município oferece atendimento a famílias em situação de violência.

A psicóloga Ana Paula Mendes sugere: "Se você conhece uma criança ou adolescente que vive em ambiente violento, converse com um professor ou agente de saúde. Eles têm o dever de notificar o Conselho Tutelar". O silêncio, muitas vezes, é o maior aliado da violência.

## Perguntas Frequentes

### O adolescente pode ser preso?

Sim, mas a medida aplicada é socioeducativa, não prisão comum. A internação provisória pode durar até 45 dias, prorrogável por decisão judicial.

### A mãe será responsabilizada?

Não há indícios de que a mãe tenha participado ou incentivado o ato. Ela é considerada vítima de violência doméstica e recebe proteção do Estado.

### Como denunciar violência doméstica?

Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou vá à delegacia mais próxima. A denúncia é anônima e gratuita.

### O que é legítima defesa de terceiro?

É quando alguém age para proteger outra pessoa de uma agressão iminente. No caso, o adolescente alega ter agido para defender a mãe.

### Há risco de o adolescente repetir o comportamento?

Com acompanhamento psicológico adequado, o risco é reduzido. A exposição à violência na infância é um fator de risco, mas não determina o futuro.

### O que fazer se uma criança revela violência em casa?

Ouça sem julgar, acolha e procure o Conselho Tutelar ou o CRAS do seu bairro. Não tente resolver sozinho.

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Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/cidade/adolescente-presenciou-outros-episodios-violencia-domestica-contra-mae-antes-mat/
