# Quartos de empregada em Paris: o que está acontecendo

> Os chambres de bonnes, antigos quartos de empregada em Paris, enfrentam condições críticas de habitabilidade para cerca de 55 mil moradores. Ondas de calor intensificadas e ausência de infraestrutura básica, como isolamento térmico e banheiros adequados, tornam esses espaços cada vez mais insalubres. A falta de regulamentação eficaz agrava a crise habitacional na capital francesa, expondo populações vulneráveis a riscos sanitários crescentes.

*Sucesso News · Cidade · 07 de setembro de 2026 · Nayara Couto*

Os chambres de bonnes, os antigos quartos de empregada em Paris, estão se tornando impossíveis de viver. Ondas de calor e a falta de estrutura ameaçam a moradia de 55 mil pessoas na capital francesa.

Os chambres de bonnes, os chamados quartos de empregada, foram por décadas a porta de entrada mais barata para estudantes e viajantes em Paris. Projetados há mais de dois séculos para acomodar os serviçais das famílias dos principais bairros, eles agora enfrentam um problema que não estava no projeto original: o calor. Segundo um estudo de 2024 da agência Paris Atelier d'Urbanisme (APUR), o interior desses cômodos registra temperaturas 10ºC superiores às áreas externas durante as ondas de calor, que já passam de 40ºC na capital francesa.

A realidade é vivida por muitos jovens. O russo Anatoly Novikov, de 23 anos, estudante do Instituto Politécnico de Paris, mora em um quarto de nove metros quadrados, o tamanho de uma vaga de garagem, no bairro de Notre-Dame-des-Champs. Ele paga 700 euros por mês em uma região onde o metro quadrado custa 14.000 euros. "Acho que celas de prisão são maiores", brinca ele, que encara a situação como um desafio. Já Bilal Guénanain, de 24 anos, estudante da Bretanha, mora perto da Champs-Élysées por 550 euros mensais, mas precisa subir seis lances de escada todos os dias para chegar ao estúdio.

A situação não é nova, mas ganhou contornos dramáticos. O escritor Victor Hugo, em 1821, já morou em um sótão minúsculo quando estudante. A diferença é que, hoje, o clima mudou. A freelancer Emilie Reh, de 23 anos, que deixou Nova York para viver em Paris, conta no TikTok os detalhes da sua experiência no que chama de "A excursão pelo menor Airbnb de Paris do mundo". Ela divide banheiro e dorme em um quarto pequeno e quente, mas reconhece o charme da localização.

Segundo o INSEE, o instituto nacional de estatísticas da França, cerca de 55 mil pessoas vivem nos chambres de bonne em Paris. Um levantamento da APUR de 2011 mostrou que aposentados e desempregados passaram a representar 20% dos ocupantes acima dos 60 anos. Para Dominique Naert, diretor do programa de mestrado em renovação com eficiência energética de edifícios históricos na École Nationale des Ponts et Chaussées, morar nesses locais será ilegal no futuro. "Ainda há muitos estudantes neles, bem como pessoas que moram lá há 25, 30 ou 40 anos, muitas vezes porque não puderam se mudar devido a restrições financeiras", explica.

O órgão estatal Architectes des Bâtiments de France ficou responsável por readaptar esses espaços, preservando as fachadas históricas. Naert lembra que o problema não é exclusivo de Paris. "Quer você vá para Bordeaux, Roma, Madri, Berlim ou Nova York, você tem exatamente o mesmo problema", conclui, referindo-se ao legado do século XIX e início do XX.

moradia em tempos de mudança climática

Saúde a gente checa antes de compartilhar: se você mora em um imóvel antigo e sente os efeitos do calor, procure orientação de um profissional da saúde local. como se proteger do calor em casa

---

Fonte (canonical): https://sucessonews.com.br/cidade/acomodacoes-mais-baratas-paris-estao-desaparecendo-veja-esta-acontecendo-chamado/
