"Centrão" é essencial para a governabilidade, diz especialista
O "centrão" não elege presidentes, mas seu apoio é vital para a governabilidade no Brasil. Cristiano Noronha, da Arko Advice, analisa essa dinâmica política.
"Centrão" é essencial para a governabilidade, diz especialista
O chamado "centrão" não possui, necessariamente, a capacidade de eleger um presidente da República, mas seu apoio é fundamental para garantir a governabilidade de quem chega ao poder. Essa é a avaliação de Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, ao comentar a busca dos principais pré-candidatos à Presidência pelo apoio desse campo político.
Noronha ilustra sua análise com o exemplo das eleições de 2018: "A gente viu, por exemplo, na eleição de 2018, que Geraldo Alckmin contou com um apoio bastante amplo da maior parte dos partidos do chamado centrão". No entanto, ele observa que Alckmin obteve "a menor votação que o PSDB teve na história desde 1994", evidenciando que o respaldo desse grupo político não se traduz automaticamente em votos.
Por outro lado, Noronha destaca que o cenário muda radicalmente após a eleição. "Uma coisa certa: o centrão é fundamental para a governabilidade", declara. Ele explica que, por essa razão, todos os presidentes eleitos buscam esses partidos para formar uma maioria no Congresso Nacional, viabilizando a aprovação de suas pautas e a manutenção do governo.
O especialista também cita a relação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os partidos do centrão. Mesmo com esses partidos "namorando" com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tendo candidaturas próprias e fazendo oposição, eles participaram do governo Lula com ministérios relevantes. "Como foi o caso do Ministério da Agricultura, do Ministério de Minas e Energia, o Ministério de Portos e Aeroportos, entre outros", enumerou Noronha.
A conclusão do especialista resume bem a dinâmica do campo político brasileiro: "Não necessariamente elege, mas é fundamental para garantir uma governabilidade."